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Diretor-geral da Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO), José Graziano da Silva (Foto: FAO/Alessia Pierdomenico)

O consumo mundial de água aumentou seis vezes durante o século passado, o dobro da taxa de crescimento populacional, e a escassez é agora um desafio ameaçador para a humanidade devido a uma série de fatores que vão desde mudanças climáticas e poluição até a falta de capacidade e infraestrutura.

Em uma mensagem de vídeo dirigida ao 8º Fórum Mundial da Água, realizado em Brasília, o diretor-geral da Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO), José Graziano da Silva, advertiu que dois terços da população mundial vivem em condições de escassez severa de água pelo menos uma parte do ano.

Isso tem um impacto particularmente grave sobre as pessoas que dependem da agricultura que, em alguns casos – especialmente entre os mais pobres – podem não ter alternativa senão emigrar em busca de melhores meios de subsistência. “Mas a migração deve ser uma opção, e não a única alternativa que resta”, disse Graziano da Silva.

A FAO apresentou os resultados de uma nova pesquisa, realizada em conjunto com a Aliança Mundial a favor da Água (‘Global Water Partnership’) e a Oregon State University, sobre o vínculo entre a água e a migração.

O relatório “Estresse hídrico e migração humana” (disponível em inglês), apresentado em um painel de alto nível no fórum, oferece mais de cem estudos detalhados, analisando seus resultados em termos demográficos, temperaturas da superfície e registros de chuvas. A FAO também contribuiu para um capítulo sobre “Soluções baseadas na natureza para gerenciar a disponibilidade de água”, no relatório da ONU também publicado por ocasião do Fórum.

“As estratégias de adaptação agrícola afetam a necessidade de muitas pessoas de migrar e devem ser levadas em consideração de maneira explícita nas políticas contra as mudanças climáticas, entre outras. Analisar as tendências da escassez de água e se preparar para isso é particularmente valioso, pois permite intervir para mitigar a pressão da migração forçada”, explicou Eduardo Mansur, diretor da Divisão de Terra e Água da FAO.

“Permitir uma adaptação proativa”, acrescentou, “é uma estratégia mais eficaz e sustentável do que oferecer uma resposta humanitária reativa diante de dificuldades em larga escala”.

Uma conclusão-chave do relatório é a necessidade de mais informações sobre as dinâmicas do vínculo entre migração e água na Índia, Ásia Central, Oriente Médio e região central do Sahel, zonas onde se espera que estarão entre as primeiras a enfrentar temperaturas médias da superfície acima da média e uma maior escassez de água nos próximos 30 anos.

O Sul e o Sudeste asiáticos também são relativamente pouco estudados, devido ao grande comprimento de suas costas e às áreas baixas nos deltas dos rios. Embora a escassez de água na América do Sul e no norte da Ásia seja menos aguda, existem poucas evidências nessas zonas sobre as pressões migratórias.

Conclusões do estudo

O estresse hídrico refere-se, em geral, a situações em que a demanda não é atendida devido a uma combinação de problemas de acesso e diminuição da disponibilidade e/ou qualidade da água.

Isso tende a aumentar, como resultado de altas temperaturas, a crescente demanda dos setores agrícola, energético e industrial – e pode refletir em chuvas mais extremas ou na vulnerabilidade às inundações, além de condições mais frequentes de seca. A infraestrutura inadequada pode agravar os déficits na quantidade e qualidade da água.

Embora alguns estudos mostrem uma correlação entre o estresse hídrico e uma maior emigração, a interação causal ainda não é claramente compreendida, como argumenta o relatório.

“É essencial garantir que a interação entre escassez de água e migração não se torne um agravamento mútuo”, disse Olcay Unver, diretor adjunto da FAO responsável pela Divisão de Terra e Água.

A migração é um processo universal e comum e está ligada ao desenvolvimento de múltiplas formas, e a FAO apoia fortemente as políticas que ajudam a torná-la uma opção, e não uma necessidade. As evidências sugerem que os investimentos públicos em adaptação agrícola podem atenuar os fatores adversos da migração rural, explica o relatório.

Embora as intervenções oportunas possam mitigar a migração involuntária, o impacto dos migrantes sobre o estresse hídrico nos lugares que eles chegam também merece maior atenção, especialmente porque os assentamentos informais muitas vezes envolvem formas de uso da terra que empregam a água de forma ineficiente, danificam ciclos hidrológicos locais ou alteram sistemas tradicionais que incentivam a sua conservação.

Ao mesmo tempo, os migrantes podem contribuir positivamente para o gerenciamento e o desenvolvimento da água, tanto nas comunidades de origem quanto nas de acolhimento, por meio de boas práticas, transferência de habilidades e conhecimentos e uso de remessas.

O conceito de migrantes ambientais está despertando cada vez mais a atenção, e são necessários mais dados para entender e antecipar essas tendências em tempo hábil, segundo a FAO e a Organização Internacional para as Migrações (OIM), agências copresidentes dos esforços do Grupo Mundial sobre Migração em 2018 para ajudar a desenvolver um Pacto Global para migração segura, organizada e regular.

Da ONU News

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