Mais de cinco milhões de trabalhadores apoiaram nesta quinta-feira (8) as interrupções parciais de duas horas na primeira greve feminista convocada na Espanha por ocasião do Dia Internacional da Mulher. Segundo os principais sindicatos do país (CCOO e UGT), dezenas de milhares de pessoas participaram de várias manifestações reivindicativas.

As concentrações ocorreram nas cidades de Madri, Barcelona, Bilbau, Sevilla e Valência, com lemas como "Se nós paramos, para o mundo", "Vivas, livres, unidas pela igualdade" e mensagens contra a diferença salarial entre sexos e a violência machista.

A greve recebeu apoiada de partidos de esquerda, enquanto o presidente do Governo espanhol, o conservador Mariano Rajoy, se comprometeu a continuar trabalhando em defesa da igualdade real entre homens e mulheres.

Leia mais...Centenas de pessoas marcham em Istambul, na TurquiaErdem (Foto: Sahin / EFE)

Turquia

A violência machista contra as mulheres e o abuso sexual foram o foco de uma manifestação convocada por feministas em Istambul, a maior cidade da Turquia, desafiando as proibições impostas pelo estado de emergência em vigor.

Cerca de 50 mulheres compareceram à manifestação ao meio-dia (horário local) no bairro de Besiktas, junto ao Estreito de Bósforo, com cartazes com lemas feministas e contra a violência.

As organizações feministas convocaram protestos, nesta quinta-feira, em 14 cidades da Turquia, todos em desafio às normas do estado de emergência, em vigor desde 2016 e que proíbe todo tipo de marchas e manifestações.

A polícia compareceu ao local do protesto em Besiktas, mas não interveio e as participantes se dispersaram após a leitura de um breve manifesto.

O grupo denunciou que 409 mulheres foram assassinadas por homens durante 2017, enquanto que, apenas em fevereiro, já foram registradas 47 mortes violentas.

O manifesto lido em Besiktas denunciou que muitos assassinos recebem redução de sentença por "boa conduta" durante o julgamento e lamentou o fato de o governo fazer críticas à lei sobre a violência machista, aprovada em 2012. O governo diz que a medida "destrói a família".

França

O jornal francês Libération foi vendido hoje 50 centavos de euros mais caro para leitores homens, com o objetivo de denunciar a diferença salarial, em iniciativa proposta pelo Dia Internacional da Mulher.

Na capa, dedicada ao tema, o jornal de esquerda afirma que "apesar da lei, a diferença salarial entre homens e mulheres continua sendo de 25% na França" e por isso "o jornal decidiu aplicar, por um dia, a mesma diferença em seu preço, que será 50 centavos mais caro para homens".

O dinheiro arrecadado com a iniciativa será destinado ao Laboratório da Igualdade, que há anos luta pelo fim das diferenças entre gêneros.

Índia

Milhares de mulheres indianas saíram às ruas no Dia Internacional da Mulher para pedir igualdade de direitos e o fim das agressões sexuais, um problema muitas vezes silenciado no país por razões culturais ou de estigma social.

Cerca de 2 mil manifestantes formaram uma rede humana ao redor da região central de Connaught Agrada, em Nova Délhi, convocadas pelo movimento Rape Roko, uma iniciativa lançada pela Comissão para a Mulher de Delhi (DCW) em janeiro para conscientizar sobre este tipo de crimes.

No local, mulheres de diferentes idades e condições sociais gritaram palavras de ordem contra a desigualdade e os ataques sexuais ao coletivo feminino.

Os cartazes exibiam mensagens como “O meu corpo não é um espaço público” e "Não me digas como me vestir, aprenda a não abusar".

Segundo números da Agência Nacional de Registro de Crimes da Índia, em 2016 ocorreram no país 38.947 estupros (2.167 deles em grupo), dos quais só em Nova Délhi foram denunciados 4.935 (1.996 coletivos).

Paquistão

Centenas de mulheres protestaram em diversas cidades paquistanesas para reivindicar direitos e pedir "independência" dos homens, embora a baixa assistência em algumas das manifestações tenha evidenciado a falta de empurrão do movimento feminista no país.

"O que quer uma mulher? Independência", gritavam 200 mulheres em Islamabad, de adolescentes a idosas, junto a outros slogans como "liberdade" e "os assassinatos por honra são inaceitáveis", em referência aos homicídios cometidos por parentes por uma suposta afronta moral que tiram a vida de aproximadamente 500 mulheres ao ano no país.

Representantes de diferentes partidos e organizações, as participantes realizaram uma pequena passeata na capital, com bandeiras e a presença de alguns homens que as apoiavam.

"No Paquistão, as mulheres não têm liberdade para comparecer aos lugares públicos", disse à Agência Efe a presidente da Frente Democrática de Mulheres, Ismat Shahjahan, uma das organizadoras do ato, para explicar a baixa presença de manifestantes no país de 207 milhões de habitantes.

No país muçulmano e conservador, as mulheres sofrem uma forte discriminação no ambiente de trabalho, onde sua participação é de 22%.

Um recente relatório da Organização Internacional do Trabalho revelou que o Paquistão está entre os países que oferecem menos oportunidades de trabalho às mulheres e oportunidades de participação econômica, junto com Arábia Saudita, Iêmen, Irã e Síria.

Países africanos

Conferências, cursos, iniciativas para empoderar as mulheres no ramo tecnológico, leituras de declarações públicas de algumas organizações são alguns dos eventos que aconteceram nos países africanos, porém com pouca mobilização nas ruas para reivindicar os direitos da mulher.

Apesar de países como Ruanda, que tem o Parlamento mais paritário do mundo, e como a África do Sul, com taxas de igualdade salarial muito alta, a maioria de mulheres na África assume a violência como algo cotidiano em suas casas, quando não sofrem em grande escala como um instrumento de guerra em vários conflitos.

Neste Dia Internacional da Mulher os atos foram mais tímidos, como a conferência organizada pela Unesco em Nairóbi (Quênia) para empoderar as mulheres através do uso de Tecnologias da Informação e o lançamento de um movimento internacional contra a mutilação genital no Senegal, que revelou que mais de 200 milhões de mulheres em toda África sofreram com esta prática.

A organização Big Sisters lembrou também que 6 mil meninas são mutiladas a cada dia no mundo e que 30 milhões estão expostas à prática - segundo dados do Unicef. A organização exigiu a adoção de leis para proibir tais práticas em todos os países africanos antes do ano 2020.

"A mutilação genital está exterminando nossas meninas e nossas mulheres", lamentou a leonesa Salimatou Kamara, que advoga pela proibição oficial desta prática na África, uma exigência que considera vital para a dignidade das africanas.

Na África do Sul, o país com melhor nota em gênero da África Subsaariana, segundo o Banco de Desenvolvimento Africano (APDB), o novo presidente Cyril Ramaphosa disse hoje que "o patriarcado não tem lugar na África do Sul que estamos construindo".

"Para renovar o país é preciso renovar os valores e posicionar as mulheres e os homens na mesma altura", declarou o líder sul-africano em sua mensagem pelo Dia da Mulher.

Na Nigéria, um novo sequestro do Boko Haram de 110 meninas de um instituto de ensino médio de Dapchi, ao nordeste do país, ganhou atenção.

"Isto tem que ser o principal agora. Por isso decidimos fazer um chamado #LeaveOurDaughtersAlone [Deixe nossas filhas em paz, em inglês] para acabar com este desastre nacional", disse a primeira-dama Aisha Buhari.

América Latina

Em Buenos Aires, o presidente da Argentina, Mauricio Macri, anunciou um projeto de lei que busca impulsionar "mudanças" para avançar rumo à "igualdade de gênero em todos as áreas", especialmente trabalhista, com a ideia de que uma mulher não pode ganhar "menos que um homem".

"Não podemos permitir que uma mulher ganhe menos que um homem. Não faz sentido e nem explicação para aqueles que trabalham dia a dia com elas", disse o chefe de Estado durante discurso em ato organizado em Buenos Aires pelo Governo para comemorar o Dia Internacional da Mulher.

No Chile, na última semana como presidente antes de entregar o cargo ao recém-eleito Sebastián Piñera, a presidente Michelle Bachelet fez homenagens a chilenas ilustres que lutaram pela dignidade da mulher no país, acompanhada da atriz transexual Daniela Vega, protagonista de Uma Mulher Fantástica, que ganhou o Oscar de melhor filme estrangeiro.

"É o último dia em que me dirijo a vocês no exercício do meu cargo, por isso quero agradecer, porque muitas vezes, nos momentos mais difíceis, sempre senti o apoio incondicional das mulheres da minha pátria", destacou.

Acompanhada de suas ministras, mulheres sindicalistas e dirigentes políticas, entre outras, a presidente ressaltou que seu governo conseguiu "abrir uma porta, e não qualquer uma, para que por ela passem mais e mais mulheres caminhando para um país mais justo e equitativo".

Coreia do Sul

Centenas de sul-coreanas realizaram uma passeata pelo centro de Seul aos gritos de "Me Too" (Eu também, em inglês) em referência à campanha que começou em Hollywood e vive o auge no país, onde o número de vítimas que denunciaram abusos sexuais disparou desde janeiro.

No protesto, que tomou a praça de Gwanghwamun, também foram exibidos cartazes a favor do movimento chamado "With You" (Com você, em inglês), que surgiu na Coreia do Sul ao calor do "Me too".

Números do Ministério de Igualdade de Gênero e Família da Coreia do Sul de 2016 mostram que 80% das cidadãs já sofreram assédio sexual no trabalho, mas que apenas 10% das afetadas denunciam por medo de represálias ou pela sensação de que nada mudaria.

*Com informações da EFE

abencontroComunidade dos Países de Língua Portuguesa se reuniu em Lisboa, homenageando as mulheres e debatendo a importância das que trabalham no campo (Foto: Marieta Cazarré/Agência Brasil)

Representantes da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa se reuniram hoje, em Lisboa, no Palácio do Conde de Penafiel, para homenagear as mulheres e debater a importância das que trabalham no campo como agentes transformadoras do desenvolvimento.

Por ocasião do Dia Internacional da Mulher, a comunidade escolheu dedicar as homenagens este ano às mulheres rurais. A secretária executiva da CPLP, Maria do Carmo Silveira, ressaltou que, apesar das mulheres serem responsáveis pela produção de mais da metade dos alimentos de todo o mundo, apenas 20% delas têm acesso à terra. Além disso, em relação à disparidade salarial entre homens e mulheres, situada em torno dos 23%, nas áreas rurais chega a 40%.

As mulheres rurais em todo o mundo, além de exercerem papéis de agricultoras, são também educadoras e cuidadoras, ficando responsáveis pela criação dos filhos nos ambientes mais remotos do mundo.

Além disso, têm papel fundamental na preservação da biodiversidade, apesar de não terem acesso igualitário a ferramentas, sementes, tecnologia, crédito e terras.

Vida mais digna e uma sociedade mais justa

Maria do Carmo reafirmou, ainda, a importância da luta por uma vida mais digna e por uma sociedade mais justa e igualitária. "Em várias partes do globo, a vida de muitas mulheres continua a ser martirizada pela violência, pelo abuso, pelo tráfico, por casamentos forçados e gravidez na adolescência. Ao ritmo atual, serão necessários pelo menos mais 100 anos para que se possa acabar com a desigualdade entre homens e mulheres. Hoje é uma data em que devemos juntar nossas vozes para chamar a atenção da sociedade sobre os preconceitos de gênero existentes na sociedade", disse.

O embaixador Gonçalo Mourão, representante permanente do Brasil junto à Comunidade dos Países de Língua Portuguesa, ressaltou a relevância do tema escolhido.

"A vida no campo, a vida rural, é o primeiro trabalho elementar do homem em cima da terra. É o primeiro trabalho que nós fazemos, que é buscar nossa própria alimentação. É um diálogo que o ser humano, representado pelo ser humano feminino, faz com a terra em busca de uma coexistência com a natureza. De conviver e compartilhar o mesmo espaço de maneira pacífica", detalhou.

O evento de hoje contou ainda com a realização de uma mesa redonda com o tema “A mulher rural como agente transformador do desenvolvimento na CPLP”. Participaram do debate a portuguesa Ana Melo Portugal, coordenadora científica do programa de doutorado Saber Tropical e Gestão – TropiKMan; a guineense Isabel Miranda, gestora de projetos da Ação para o Desenvolvimento (Organização Não Governamental AD, Guiné-Bissau); e a brasileira Joana Dias, coordenadora da Rede das Margaridas.

mulheresdireitos

(Foto: Agência Brasil)

Neste Dia Internacional da Mulher – 8 de março –, a ONU Mulheres celebra as ativistas rurais e urbanas que transformaram a vida das mulheres em todo o mundo. Desde as campanhas de base até os movimentos globais, o ativismo das mulheres ao longo das décadas abriu caminho para os direitos das mulheres e um futuro mais igual.

No 8 de março, una-se à ONU Mulheres para refletir sobre os progressos realizados, defender as mudanças e celebrar as mulheres comuns e extraordinárias que mudaram o mundo por meio de suas palavras e ações. Confira nesse vídeo especial:

Da ONU News

onudireitos

Yukiya Amano, diretor-geral da Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA), chama os membros da mídia em Viena. (Foto: Dean Calma / AIEA)

O Irã está implementando uma série de compromissos no âmbito do acordo nuclear alcançado com países-chave em 2015, disse o chefe da agência das Nações Unidas para energia nuclear.

“Até o momento, posso afirmar que o Irã está implementando seus compromissos relacionados com a energia nuclear”, disse Yukiya Amano, diretor-geral da Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA), em declaração ao Conselho de Governadores, um dos dois órgãos políticos da agência cuja sede é em Viena.

O Plano de Ação Conjunto sobre o tema – conhecido pela sigla JCPOA e alcançado por Irã, China, França, Alemanha, Rússia, Reino Unido, Estados Unidos e União Europeia – estabelece mecanismos rigorosos para monitorar os limites do programa nuclear do Irã, ao mesmo tempo em que abre caminho para encerrar as sanções da ONU contra o país.

Segundo a ONU, o plano “representa um ganho significativo para a verificação”.

Amano disse que é essencial para o Irã continuar a implementar plenamente esses compromissos. “Se o JCPOA fracassasse, seria uma grande perda para a verificação nuclear e para o multilateralismo”, alertou.

Ele disse que os inspetores da AIEA tiveram acesso a todos os locais que precisavam visitar.

Em uma coletiva de imprensa no final do dia, Amano deu mais detalhes sobre as atividades da agência no Irã.

“O nosso trabalho de inspeção dobrou desde 2013”, disse ele a repórteres na capital austríaca.

Amano acrescentou que a AIEA instalou cerca de 2 mil selos invioláveis em materiais e equipamentos nucleares, além de coletar e analisar centenas de milhares de imagens capturadas diariamente pelas suas sofisticadas câmeras de vigilância no Irã.

Ele também disse que “o evento mais importante” no calendário da AIEA neste ano é a Conferência Ministerial sobre Ciência e Tecnologia Nuclear, que acontecerá em Viena de 28 a 30 de novembro.

A conferência reunirá ministros, especialistas e técnicos, entre outras pessoas, para considerar como os países podem usar a ciência e tecnologia nuclear para alcançar seus objetivos de desenvolvimento.

A AIEA contribui diretamente para a conquista de nove dos 17 Objetivos de Desenvolvimento Sustentável, já que a ciência e a tecnologia nucleares podem ajudar os países a produzir mais alimentos, gerar mais eletricidade, tratar doenças como câncer, gerenciar recursos hídricos e responder às mudanças climáticas.

Da ONU News

raul jungmannO ministro da Segurança Pública, Raul Jungmann, fala à imprensa após reunião com prefeitos, no Palácio do Planalto (Foto: Fabio Rodrigues Pozzebom/Agência Brasil)

O ministro da Segurança Pública, Raul Jungmann, disse hoje (7) que a atuação das Forças Armadas em operações de segurança pública no Rio de Janeiro "tem sido exemplar". A declaração foi uma resposta a um discurso do alto comissário das Nações Unidas para Direitos Humanos, Zeid Ra'ad Al Hussein, em que ele diz estar preocupado com o emprego das Forças Armadas no estado fluminense.

Jungmann usou como exemplo os casos em que foi autorizada a Garantia da Lei e da Ordem (GLO), quando militares entram em ação em situações específicas, em cidades brasileiras. “Nós já fizemos 11 GLO. Me digam que desrespeito aos direitos humanos foram feitos pelas Forças Armadas até aqui? Qual denúncia que teve? São mais de 90 mil homens e mulheres, somando as 11 [operações]. Acredito que a performance das Forças Armadas nas GLO tem sido exemplar”, disse o ministro.

O prefeito do Rio de Janeiro, Marcelo Crivella, também defendeu a atuação dos militares, ao mesmo tempo em que reconheceu a ocorrência de violência em incursões nas comunidades da cidade. “Tudo na vida pode ser perigoso, mas o Exército tem competência e tecnologia para reduzir os danos. É impossível também fazer uma incursão numa comunidade carente sem que haja uma certa ação de violência, porque a criminalidade ali é muito forte”.

Crivella citou o uso de drones em uma operação do Exército hoje, na cidade, como exemplo de redução de danos: “Para que não tenha danos colaterais à população, [é importante] o uso de drones e outras tecnologias, uso de inteligência, 'plantar' pessoas antes para verificar onde é a ação dos traficantes e onde estão as armas. Isso o Exército sabe fazer e com certeza fará”.

O alto-comissário da ONU também condenou um suposto pedido de anistia prévia para eventuais atos que possam ser cometidos durante o período da intervenção. “Eu condeno apelos de oficiais do alto escalão do Exército por medidas que equivalem, na verdade, a uma anistia preventiva para quaisquer tropas que possam cometer violações de direitos humanos”.

Jungmann rebateu a possibilidade de tal anistia. “Eu não entendo onde existe uma intenção, uma regulação no sentido de anistiar previamente qualquer possível delito. Isso não existe. Eu nem aceitaria qualquer tipo de anistia preventiva, algo que significasse um delito e não passasse pela Justiça do nosso país. Isso seria inaceitável”.

bignone

Reynaldo Bignone (Foto: REUTERS/Marcos Brindicci/Arquivo)

O último ditador argentino, Reynaldo Benito Bignone, morreu nesta quarta-feira (7), aos 90 anos, num hospital militar. Ele foi o quarto presidente da ditadura militar argentina (1976-1983), responsável pelo desaparecimento de milhares de opositores, e tinha sido condenado a prisão perpétua por crimes de lesa humanidade.

Nomeado presidente em 1º de julho de 1982, Bignone substituiu o deposto Leopoldo Galtieri, após a derrota da Argentina contra o Reino Unido pela posse das Ilhas Malvinas – um arquipélago no extremo Atlântico Sul que os dois países reivindicam como próprio.

A derrota na guerra - somada à crise econômica e a crescente mobilização popular contra a ditadura – levou Bignone a convocar eleições democráticas, depois de decretar uma lei de autoanistia para os militares. Uma de suas primeiras medidas foi convocar eleições, mas também a destruição de toda a documentação sobre prisões, torturas e assassinatos de desaparecidos.

No dia 10 de dezembro de 1983, Bignone entregou a faixa presidencial a Raúl Alfonsín – o primeiro presidente eleito após o golpe de 1976. Uma das primeiras medidas do novo governo democrático foi investigar as violações aos Direitos Humanos e julgar seus responsáveis.

De acordo com a Secretaria-Geral do Exército argentino, Bignone morreu por complicações de uma operação cirúrgica no quadril no Hospital Militar Central de Buenos Aires, onde estava internado desde terça-feira.

Nos últimos anos, o ex-general foi condenado a diversas penas perpétuas por crimes contra a humanidade cometidos durante o seu regime, como sequestro de bebês, torturas, privações ilegais de liberdade e formação de quadrilha, entre outros.

zeidraadalhussein

Alto comissário para os Direitos Humanos, Zeid Ra’ad Al Hussein (Foto ONU: Jean-Marc Ferré)

O alto comissário de direitos humanos das Nações Unidas expressou preocupação com a situação de países em todos os continentes durante a apresentação de um relatório anual na 37ª. sessão do Conselho de Direitos Humanos, em Genebra, na Suíça.

Zeid Al Hussein falou de nações nas Américas incluindo Brasil, Colômbia, Estados Unidos, Honduras e Venezuela, entre outras.

Sobre a Venezuela, o alto comissário citou o aumento da má nutrição que afeta especialmente crianças e idosos. Ele afirmou que a separação de poderes está comprometida no país, e que a liberdade de opinião, expressão e de reunião pacífica está sendo severamente limitada e reprimida.

O alto comissário de direitos humanos das Nações Unidas expressou preocupação com a adoção de um decreto que colocou as forças armadas para combater a criminalidade no Rio de Janeiro.

Segundo ele, as forças armadas não são especializadas em segurança pública e investigação. Zeid pediu ao governo brasileiro que garanta que as medidas de segurança respeitarão os ditames dos direitos humanos. 

Ele afirmou a importância da sociedade civil nos trabalhos do Observatório de Direitos Humanos criado na semana passada para monitorar as ações militares.

Ao citar o México, Zeid falou que está preocupado com uma nova medida de segurança interna que autoriza o uso das forças armadas na aplicação da lei sem garantias. Ao mesmo tempo, o alto comissário da ONU elogiou a entrada em vigor de uma nova lei contra a tortura. Zeid voltou a mencionar o desaparecimento de 43 estudantes da cidade de Iguala, há mais de três anos, e disse que emitirá um relatório sobre a investigação.

Sobre Honduras e Colômbia, o alto comissário relatou o aumento de intimidações e ameaças a defensores de direitos humanos e ativistas além de jornalistas. No caso da Colômbia, Zeid se disse alarmado com o aumento no número de assassinatos. Já são mais de 20 em apenas seis semanas este ano.

O chefe de direitos humanos da ONU afirmou estar chocado com casos de migrantes sendo interceptados na fronteira dos Estados Unidos com o México. Ele mencionou que dentre os migrantes estão crianças, que estão sendo detidas em condições que ele classificou de abusivas, separadas da família ou temperaturas abaixo de zero.

Zeid Al Hussein lembrou ainda que o governo americano acabou com o programa de refúgio para menores centro-americanos, conhecido como Daca, que oferecia a crianças e adolescentes uma esperança de segurança e de proteção temporária para centenas de milhares de pessoas.

O alto comissário finalizou seu comentário sobre os Estados Unidos ao falar da decisão do país de revogar o fechamento da prisão de Guantánamo dizendo que a detenção por tempo indefinido sem julgamento e em condições desumanas é considerada um desrespeito à lei internacional.

E alguns países foram elogiados pelo alto comissário por progressos realizados como o Equador que aumentou o diálogo com ativistas e com a mídia para acabar com a polarização política, a Arábia Saudita por suspender a necessidade de mulheres serem acompanhadas por homens para acessar serviços públicos e Portugal por tentar acabar com a discriminação ao povo Roma, também conhecido como ciganos, aumentando a participação deles na educação, em treinamentos e no mercado de trabalho.

 

money

Foto: Shutterstock

As mulheres na União Europeia recebem 16,2% menos do que os homens. Nesta quarta-feira (7), véspera do Dia Internacional da Mulher, o Escritório de Estatística da UE (Eurostat) divulga estudo que aponta as particularidades da desigualdade salarial na Europa.

As estimativas remetem ao ano de 2016 e mostram que, a cada euro recebido por um homem na União Européia (UE), as mulheres ganhavam cerca de 84 centavos. Mas as disparidades variam muito entre os estados-membros, sendo de aproximadamente 5% na Romênia e chegando a mais de 25% na Estônia.

Entre os países que registraram disparidades salariais abaixo dos 10%, estão a Romênia (5,2%), Itália (5,3%), Luxemburgo (5,5%), Bélgica (6,1%), Polônia (7,2%), Eslovênia (7,8%) e Croácia (8,7%, dados de 2014).

Desigualdades superiores a 20% em cinco países

Por outro lado, os países com desigualdades superiores a 20% são Estônia (25,3%), República Tcheca (21,8%), Alemanha (21,5%), Reino Unido (21,0%) e Áustria (20,1%).

Quando comparados os dados de 2011 e 2016, as disparidades salariais entre homens e mulheres diminuíram na maioria dos estados-membros da UE.

As reduções mais notáveis foram registradas na Romênia (-4,4 pontos percentuais), Hungria (-4,0 pp), Espanha e Áustria (ambos -3,4 pp), Bélgica (-3,3 pp) e na Holanda (-3,0 pp). Se considerada a média da UE, a redução foi de 16,8% em 2011 para 16,2%, em 2016.

No entanto, o fosso salarial piorou em Portugal (+4,6 pp) e na Eslovênia (+4,5 pp).

 

zeid

(Foto: Reprodução/ Internet)

O chefe do escritório de direitos humanos das Nações Unidas, Zeid Ra’ad Al Hussein, emitiu um comunicado nesta terça-feira (06) rebatendo as acusações do ministro das Relações Exteriores da Hungria, Péter Szijjártó, a quem havia criticado em um comunicado anterior.

“Na semana passada, Péter Szijjártó disse que era ‘calunioso’ e ‘inaceitável’ da minha parte chamar seu primeiro-ministro de racista. Ele afirmou que eu havia “acusado a Hungria de ser comparável às piores ditaduras do século passado” e pediu que eu me demita”, afirmou Zeid.

Zeid transcreve, no comunicado, sua fala anterior:

“O estado de segurança está de volta e as liberdades fundamentais estão em recuo em todas as regiões do mundo. A vergonha também está retrocedendo. Xenófobos e racistas na Europa estão perdendo a vergonha – como o húngaro Viktor Orbán, que no início deste mês disse: ‘nós não queremos que nossa cor… seja misturada com outras cores’. Eles não sabem o que acontece com as minorias em sociedades onde os líderes buscam a pureza étnica, nacional ou racial?”

“Eu reafirmo cada uma das palavras”, acrescentou Zeid, que chefia o Alto Comissariado das Nações Unidas para os Direitos Humanos (ACNUDH).

Para Zeid, o discurso de Orbán em 8 de fevereiro a um grupo de conselhos municipais foi uma “declaração clara do racismo”.

“É um insulto para todas as mulheres, homens e filhos africanos, asiáticos, do Oriente Médio ou latino-americanos. A crença de que misturar raças cria uma mancha indescritível e prejudicial já foi difundida em muitos países; em partes dos EUA, bem como na África do Sul, as leis de miscigenação eram parte integrante da humilhação e opressão de pessoas chamadas de ‘raças menores’. Mas essa era está há muito morta – ou deveria estar. Ouvir isso de forma descarada pelo líder de um país moderno da União Europeia deve indignar cada um de nós”, afirmou Zeid.

O chefe de direitos humanos da ONU alertou que “estamos cada vez mais acostumados a alimentar o ódio com lucro político”. Incluindo, afirmou Zeid, o primeiro-ministro da Hungria.

“O último censo indica 1.064 homens e 260 mulheres de África que vivem em toda a Hungria; um total de 10.559 pessoas de toda a Ásia; e aparentemente tão poucos do Oriente Médio que nem sequer foram contados. Mas Orbán conseguiu retratar os muçulmanos e os africanos como uma ameaça existencial à cultura húngara – uma ameaça que ele alega ser planejada pelo financista húngaro-americano George Soros”, acrescentou Zeid.

No ano passado, informou Zeid, uma chamada “pesquisa consultiva” do governo húngaro propagou uma série de falsidades sob a forma de perguntas sobre como ‘George Soros quer convencer Bruxelas a reassentar pelo menos 1 milhão de imigrantes da África e Oriente Médio anualmente no território da União Europeia, incluindo a Hungria: você apoia isso?’, ou ainda “O objetivo do plano de Soros é diminuir a importância da linguagem e da cultura dos países europeus para que a integração dos imigrantes ilegais ocorra mais cedo: você apoia isso?”

“A retórica racial do Sr. Orbán é cada vez mais delirante”, destacou Zeid, lembrando seu discurso à Nação de 18 de fevereiro em que ele ataca o comissário para os Direitos Humanos do Conselho da Europa, Nils Muižnieks.

De acordo com um estudo do Pew Research Center de 2016, 72% dos húngaros têm uma visão desfavorável dos muçulmanos – a taxa mais alta na Europa, lembrou Zeid.

“Esse apoio à postura de Orbán sobre os migrantes o ajuda a avançar sua visão de uma ‘democracia iliberal’, governada “não por um campo de força dualista trazendo consigo debates nunca conclusivos e divisivos”, mas por “um grande partido de governo (…) um campo central de força, que será capaz de articular as questões nacionais sem as discussões constantemente em curso”, destacou Zeid.

O governo de Orbán desmantelou verificações e contrapesos, politizou o Tribunal Constitucional do país e restringiu seus poderes, prejudicando a independência do judiciário e da imprensa. As recentes propostas legislativas restringirão ainda mais um espaço já restrito para o ativismo da sociedade civil, dando ao Ministério do Interior o direito de proibir qualquer grupo que trabalhe em favor dos migrantes; sujeitando-os a impostos punitivos se receberem financiamento estrangeiro – o que poderia incluir fundos da UE; e potencialmente os proibindo de chegar a até 8 km de áreas de fronteira.

Mesmo antes deste último pacote, a União Europeia havia instaurado múltiplos processos de infrações contra a Hungria por medidas que potencialmente violassem o Estado de Direito e as liberdades fundamentais.

“Então, sim, eu lembrei do cada vez mais autoritário – embora democraticamente eleito – Viktor Orbán, um racista e xenófobo. Na verdade, não o comparei aos ditadores do século XX, porque há muitos exemplos ao nosso redor hoje sobre os horrores que surgem quando as minorias são vilipendiadas ou abusadas. E não, não vou me demitir ‘sem demora’, como exigiu uma carta de seu ministro. Porque é hora de resistir aos insultos do tipo do Sr. Orbán. O ódio é um combustível; e não vai ganhar – não na Europa; e não hoje”, concluiu Zeid.

Da ONU News

logo-sagres

Rua Monsenhor Celso, Quadra Área, Lote 2, s/n - Vila Santa, Aparecida de Goiânia - GO, 74912-590
Telefone: (62) 3216.0730

© Copyright 2006-2018 Sistema Sagres Cerrado de Comunicação