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Bullying e ataques verbais e físicos são apenas alguns modos que têm eclodido nos ambientes físicos e digitais, causando ora revolta, ora indiferença. A intolerância ao diferente e ao igual são torpes motivos para posturas intransigentes que significam, em última instância, uma incapacidade de sociabilidade, completa ausência de alteridade. O cultivo da estratégia do salve-se quem puder, em posturas não apenas egocêntricas, mas que se convertem em patológicas, resultam em casos como o do estudante que assassinou colegas na escola em Goiânia, em Realengo, no Rio de Janeiro ou em Columbine, nos EUA. São assim também ataques como os sofridos pelo Centro de Cidadania LGBT Luiz Carlos Ruas, em São Paulo e por Títi, pela Internet.

Se por um lado somos machistas e preconceituosos como traço da cultura - ataques, ameaças e assédios são naturalizados como componentes de anedotário corrente -, os desdobramentos não são tão engraçados ou naturais. Assassinatos, agressões, bullyings, depredações e várias outras anomalias sociais são mais reflexo das práticas sociais admitidas cotidianamente, que episódios isolados de um mundo cão.

Esse adoecimento social, cujas feridas são verificadas diuturnamente em praticamente todos os veículos de comunicação e nas redes sociais, se alastra em metástase virulenta, agressiva, roendo tecidos da malha social. Os que deveriam medicar, antes tiram proveito em posições populistas que agravam a cena, enquanto do outro lado usurpam o país econômica e moralmente. Enquanto esse caos se instaura, curandeiros de plantão avançam, extorquindo a sociedade com promessas endereçadas a uma pretensa moral e bons costumes impostos goela abaixo, que incentiva exatamente o belicoso jogo da autoridade incontestável, da impossibilidade de convívio com o diferente e da constrangedora indiferença.

É preocupante o quadro que estamos desenhando, com as duras e quentes cores que escolhemos para nossa paleta. Dificilmente teremos um quadro social harmônico e equilibrado. Ao que se aponta, teremos o contrário disso. São pessoas fazendo selfies ao lado de bandidos e vítimas de acidente, são posições que desprezam o respeito ao humano, ganhando destaque como modelos de comportamento. Enquanto isso, crianças ainda têm seus cabelos cortados pelos colegas, alegando precisarem de bombril, museus e universidades são ameaçadas, artistas são conduzidos a prestarem depoimento a partir de notícias falaciosas, veículos de comunicação e personagens ganham visibilidade por depreciarem e deturparem a verdade.

Se um dia tivemos ensinamentos baseados na sociabilidade e na civilidade, esses sustentáculos parecem ruir frente à debandada frenética e incólume das massas que se golpeiam, em um autoflagelo social. A cultura do tudo posso sobre aquilo com o que não concordo, legitimando o desrespeito como diapasão da convivência, a agressão como método argumentativo e a indiferença como ação pacificadora, são aspectos a serem tratados pelos psicólogos sociais, em atendimento de emergência.

Cleomar Rocha

 

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