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Com menos de 10 anos de experiência política, Alexandre Baldy alcança nesta quarta-feira (22) um feito do qual poucos políticos podem se gabar: tornar-se ministro do Brasil. Aos 37 anos, Baldy se junta a um seleto grupo formado por goianos que já ocuparam o cargo.

A pequena lista inclui os nomes de Leopoldo de Bulhões, Alfredo Nasser, Flávio Peixoto, Iris Rezende, Ovídio de Angelis e Henrique Meirelles, embora este último tenha residido fora do estado de Goiás durante a maior parte de sua vida.

Leopoldo de Bulhões

O ano era 1902. Joaquim Leopoldo de Bulhões Jardim, natural da Cidade de Goiás, preparava-se para dar um dos passos mais importantes de sua carreira política. Tornar-se Ministro da Fazenda. O convite foi feito pelo então presidente da República, Rodrigues Alves, a quem Leopoldo auxiliou durante a eleição articulando para que a candidatura vingasse.

Aos 46 anos e tendo acumulado vasta experiência política, por já ter sido eleito presidente do estado de Goiás – denominação dada para governador na época – entre outros cargos, Bulhões aceitou o convite do presidente e foi ministro de Rodrigues Alves de 15 de novembro de 1902 a 15 de novembro de 1906.

Em sua primeira gestão à frente da pasta, Bulhões regulamentou e fiscalizou as companhias estrangeiras e procurou criar instrumentos de ação do Estado nas áreas financeira e tributária, através da instituição da Inspetoria de Seguros do Tesouro Nacional, bem como da reorganização da Casa da Moeda e das Delegacias Fiscais nos estados.

Entre os anos de 1907 e 1909 Leopoldo de Bulhões enfrentou forte turbulência política no âmbito regional, pois à medida em que ele se tornava influente no Rio de Janeiro, grupos políticos adversários assumiam o poder em Goiás. Com o apoio das lideranças pecuaristas, o movimento político liderado por Bulhões tomou novamente o governo.

Ainda em 1909, o goiano voltaria a ser Ministro da Fazenda, a convite do presidente Nilo Peçanha, que substituiu o presidente Afonso Pena (1906-1909), então falecido. Em sua curta gestão (1909-1910), Bulhões realizou uma grande reforma administrativa que incluiu a regulamentação de concursos públicos para o ingresso no serviço fazendário.

Alfredo Nasser

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Em 1961, mais de 50 anos depois que Leopoldo de Bulhões deixou o cargo de Ministro da Fazenda, um outro goiano figurou no ministeriado brasileiro, o bacharel em Direito Alfredo Nasser. Os tempos obviamente eram outros, a nova Capital, Brasília, nem bem havia sido inaugurada e já amargava uma crise política causada pela renúncia de Jânio Quadros.

Natural de Caiapônia, aos 54 anos e com uma carreira já concretizada no Legislativo, Nasser foi nomeado ministro da Justiça pelo primeiro-ministro Tancredo Neves. Ele permaneceu no cargo até 26 de junho de 1962, por ocasião da renúncia coletiva do gabinete, reassumindo o seu mandato na Câmara Federal.

Opositor do último presidente que governou o país antes da Ditadura Militar, João Goulart, Nasser foi reeleito deputado federal por Goiás em outubro de 1962. Em fevereiro de 1965, já sob o regime de exceção instituído após o golpe militar de 31 de março de 1964, teve seu nome indicado para a presidência da Câmara dos Deputados. Porém, o presidente da República, marechal Humberto Castelo Branco, escolheu Olavo Bilac Pinto. Alfredo Nasser faleceu em Brasília, aos 57 anos, no dia 21 de novembro de 1965 em pleno exercício do mandato.

Flávio Peixoto

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Com o fim da Ditadura e, consequentemente, o início da redemocratização, o goiano Flávio Rios Peixoto da Silveira, ou simplesmente Flávio Peixoto, foi convidado para assumir o Ministério do Desenvolvimento Urbano e Meio Ambiente (MDU), criado a partir da divisão do antigo Ministério do Interior. 

Apesar de ter sido indicado por Tancredo Neves – que veio a falecer pouco tempo depois –, Peixoto foi mantido no cargo durante o governo Sarney. Ao ser empossado, Flávio elegeu como prioridades a reestruturação do Sistema Financeiro de Habitação (SFH) e a expansão da experiência dos mutirões - que teve ao integrar o secretariado do então governador Iris Rezende - para todo o território nacional.

Na época, mais de 6 milhões de brasileiros sofriam com o déficit de moradias. A crise foi agravada pela quase falência do Banco Nacional da Habitação (BNH) e pelos altos índices de inadimplência dos mutuários da casa própria. Por causa disso, no início de sua gestão, Peixoto anunciou estudos para tentar extinguir o BNH. Contudo, a ideia enfrentou resistências por parte de associações de moradores, e por esse motivo foi colocada de lado.

Flávio Peixoto deixou o ministério em fevereiro de 1986. Ele foi projetado para o cenário político nacional nos primeiros anos da década de 1980, quando administrou a Secretaria de Planejamento e Coordenação durante o governo de Iris Rezende, sendo um dos principais responsáveis pelos mutirões habitacionais feitos por Iris.

Iris Rezende

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Um dos mais conhecidos políticos goianos, Iris Rezende foi ministro em duas oportunidades: durante os governos Sarney e FHC.

Em 1986, Iris assumiu o Ministério da Agricultura no governo do presidente José Sarney (1985-1990). Nessa época, ele comandou as chamadas super-safras, quando, mesmo em meio a uma grave crise econômica, o país quebrou o recorde de produção de grãos por dois anos consecutivos. Iris voltaria a ser ministro durante o primeiro mandato do presidente Fernando Henrique Cardoso (FHC), entre os anos de 1997 e 1998. Dessa vez, ele comandou a Pasta da Justiça. Em abril de 1998, por determinação da legislação, Iris deixou o cargo para concorrer ao governo de Goiás, quando sofreu a primeira derrota para Marconi Perillo (PSDB).

Diante do resultado negativo nas eleições daquele ano, Iris retomou o mandato de senador e foi eleito prefeito de Goiânia em três eleições: 2004, 2008 e 2016.

Ovídio de Angelis

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Por indicação de Iris, o goianiense Ovídio Antônio de Angelis foi nomeado em maio de 1998 pelo presidente Fernando Henrique Cardoso (1995-2003) para a Secretaria Especial de Políticas Regionais da Presidência da República. Ele ocupou o cargo, que passou a ter status de ministério, até julho de 1999.

Em 03 de agosto de 1999, Ovídio de Angelis tomou posse na Secretaria Especial de Desenvolvimento Urbano, onde permaneceu até o fim do segundo mandato de FHC.  Antes de assumir a nova função, liberou 32,2 milhões de reais para o estado de Goiás, ou 63% do orçamento da Secretaria Especial de Políticas Regionais. A iniciativa gerou denúncias de que concentrara os recursos em seu estado natal visando benefícios políticos. No entanto, após a conclusão das investigações o goiano foi mantido no cargo.

Em 2003, Ovídio voltou suas atenções para Goiás e ocupou a Secretaria de Comércio Exterior durante as gestões do governador reeleito na legenda do PSDB, Marconi Perillo (2003-2006), e de seu sucessor, Alcides Rodrigues (2006-), do Partido Progressista (PP).

Henrique Meirelles

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O último a anteceder Baldy no rol de ministros goianos é Henrique Meirelles. Nascido em Anápolis em 31 de agosto de 1945, Meirelles mudou-se para São Paulo no final dos anos 1960 e início da década de 1970 para estudar Engenharia Civil na Escola Politécnica da Universidade de São Paulo, onde se formou em 1972.

Henrique Meirelles foi eleito deputado federal em 2002, cargo do qual abdicou para presidir o Banco Central, instituição da qual esteve à frente de janeiro de 2003 a novembro de 2010, durante o governo de Luiz Inácio Lula da Silva.

Antes de assumir o BC, Meirelles foi presidente mundial do BankBoston. Ele iniciou suas atividades no Banco de Boston em 1974 e se tornou presidente da instituição no Brasil em 1984. Também já integrou o conselho da Harvard Kennedy School of Government e da Sloan School of Management do MIT (Massachusetts Institute of Technology).

Meirelles assumiu o ministério da Fazenda em 2016 após o impeachment da ex-presidente Dilma Rousseff (PT).

*Reportagem feita com base em dados divulgados pelo Centro de Pesquisa e Documentação de História Contemporânea do Brasil (CPDOC).

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