Foto: Johann Germano/Portal 730
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Pelas redes sociais, o Diretório Central dos Estudantes da Universidade Federal de Goiás (DCE-UFG) se manifestou contrário ao aumento na tarifa no transporte coletivo na grande Goiânia dos atuais R$ 3,70 para R$ 4,05.

No final do mês passado, o presidente da Câmara Deliberativa do Transporte Coletivo (CDTC), Gustavo Mendanha (PMDB), que também é prefeito de Aparecida de Goiânia, por meio de nota, informou que já recebeu da Companhia Metropolitana de Transporte Coletivo (CMTC) o estudo acerca do possível aumento da tarifa.

Em discurso no Palácio das Esmeraldas, Mendanha afirmou que é contra o aumento, caso não haja melhorias como contrapartida por parte das empresas do transporte coletivo.

O estudo para o reajuste já foi auditado pela Agência Goiana de Regulação (AGR), sem perspectiva de novo aumento além dos R$ 4,05 ao longo do ano. O cálculo é feito de acordo com a variação dos preços dos combustíveis, a manutenção dos ônibus, a inflação e os vencimentos dos servidores.

A data da reunião na CDTC para a discussão do aumento na tarifa ainda não foi definida.

Leia a íntegra da nota do DCE da UFG:

“O Diretório Central dos Estudantes da Universidade Federal de Goiás, vem a público rechaçar o possível aumento da tarifa do transporte público, de cerca de 10% do valor atual, alcançando, portanto, o valor de R$ 4,05. Repudiamos a atitude das empresas que monopolizam o transporte coletivo da Região Metropolitana de Goiânia e a complacência das prefeituras dos Municípios e do Estado de Goiás com as mesmas, uma vez que novamente estes se aproveitaram de um período de férias para atacar os direitos da juventude e da classe trabalhadora – direito de ir e vir, direito à cidade, direito à lazer, esporte, cultura e educação, entre outros.

Há pouco tempo o direito à meia passagem foi retirado ilegalmente dos estudantes e o Programa Passe Livre foi alterado, apresentando atrasos no depósito dos créditos e um valor insuficiente para o uso mensal da maioria dos estudantes, logo, quando as passagens concedidas acabam, resta ao estudante apenas a possibilidade de pagamento do valor integral da tarifa. Somado a tal alteração, esse aumento injustificável da tarifa afeta mais do que nunca a vida dos estudantes.

No último semestre, o DCE-UFG encaminhou uma denúncia ao Ministério Público pedindo o retorno da meia passagem e o aperfeiçoamento do programa passe livre de modo a atender as demandas dos estudantes. O pedido foi deferido no dia 29 de novembro de 2017, recomendando que no prazo de 20 dias os problemas fossem solucionados, com a ressalva de adoção de medidas judiciais em caso de descumprimento. Apesar da decisão, sabe-se que nada foi feito para solucionar os problemas e também não foi adotada nenhuma outra medida que beneficiasse o usuário do transporte coletivo da capital, como, por exemplo, aumentar o número da frota, trocar os veículos, e a expansão ou criação de novas rotas. Mesmo não proporcionando nenhuma mudança benéfica aos usuários, as empresas podem anunciar um aumento para a segunda quinzena deste mês.

Reiteramos que não há justificativa para um aumento de tal valor, uma vez que esse aumento supera a inflação acumulada de 2016 e 2017, anos em que não ocorreram aumentos. O reajuste salarial dos motoristas e funcionários das empresas obedeceram a inflação e, por si só, o aumento no valor do diesel não justifica um aumento em torno de 10% no valor da passagem. Ressaltamos, que ainda que mudanças sejam novamente prometidas pelas empresas do transporte coletivo, não aceitaremos esse aumento! Visto que essas contrapartidas nunca são realizadas e o transporte coletivo da Região Metropolitana continua com sua tradicional precariedade.

Diante da situação exposta, o Diretório Central dos Estudantes se organizará junto com outros setores da sociedade e vem convidar os estudantes a se organizarem na luta por um transporte coletivo que seja de qualidade e acessível para juventude e para classe trabalhadora.”