Além da análise dos documentos apreendidos na sede do Sindiposto, na residência de um consultor de distribuidoras, e em postos de combustíveis, os policiais da Delegacia do Consumidor (Decon) investigam também a responsabilidade dos usineiros nos constantes aumentos que ocorreram no preço do etanol desde o final do ano passado.

O titular da Decon, delegado André Abrão explica que crimes já foram contatados, mas os responsáveis ainda não foram identificados.

“Está já comprovado no inquérito policial que houve crime cometido pelos representantes das usinas. Essas investigações estão sendo concluídas para identificar os representantes dessas usinas, mas está comprovado no inquérito policial que o crime não ocorreu apenas na bomba de combustível, mas também desde o início, na produção de etanol nas usinas”, alega.

O presidente do Sindicato da Indústria de Fabricação de Álcool do Estado de Goiás (Sifaeg) André Rocha explica que o aumento do preço do etanol não é abusivo. Segundo ele, a elevação é justificada por questões de produção.

“O etanol é uma espécie de commoditie, então o setor de usina não tem uma relação que permita falar que ele define o preço do produto, assim como se define o preço do café, da soja e do milho. O preço é definido em função de muitas variáveis, dentre as quais a principal delas é a falta de produto. Houve uma produção de etanol menor que a expectativa”, relata.

Ele disse que esse problema do etanol não aconteceu só em Goiás, e sim em todo o Brasil. O presidente da Sifaeg ainda destaca que os órgãos reguladores não foram consultados pela investigação da Polícia Civil de Goiás. 

“É importante salientar que no processo nós não temos conhecimento que os órgãos competentes, tais como a ANP, que regula o setor, o Ministério da Agricultura, o Ministério das Minas e Energia, não foram ouvidos, sendo que estes fazem por meio de uma sala o monitoramento do período da entre safra, verificam como está o consumo, o que tem de estoque, e o que irá acontecer. 

As investigações da Delegacia do Consumidor chefiadas pelo delegado André Abrão seguem em busca dos responsáveis pelos seguidos aumentos no preço do etanol.