O Fica a Dica de hoje vai tratar sobre a exposição do Museu de Arte de Goiânia que está com uma exposição de três artistas.
Cotidianos ilustrados
Onde menos se espera a artista capixaba Pâmela Reis pode encontrar uma paisagem ideal para desenvolver suas obras. Pontos de ônibus, escadarias e estações de metrô, arranha-céus enfileirados, esquinas mal iluminadas ou fios dos postes elétricos que cortam o céu. Sua expressão criativa está em buscar o belo no cotidiano. O resultado é uma sensível redescoberta da própria condição da cidade e de seus moradores.
Intitulada de Paisagens Urbanas, o trabalho da artista faz parte da atual exposição do Museu de Arte de Goiânia (MAG), que ainda traz mais dois artistas de diferentes regiões do país. Aberta até o dia 21 de abril, o paulista Marco Magalhães expõe na sala Amaury Menezes sua última produção de pinturas e a gaúcha Carla Rosane abre sua mostra Cena Contemporânea, com obras em xilogravura.
São três diferentes olhares que falam, sobretudo, sobre a arte contemporânea. No caso de Pâmela, com apenas 25 anos, os trabalhos realizados dão contorno à cidade. Nada é mais instigante quanto os milhares de detalhes que ficam escondidos no cotidiano, só esperando para serem encontrados. É isso que a capixaba faz: através de sua apuração, descobre belezas onde menos se imagina. O resultado é posto em suas telas, que geralmente são feitas por meio da técnica de serigrafia.
Nascida no espírito santo, Pâmela se habituou desde criança a se dedicar à arte. Sempre observadora, gostava de desenhar o que via em casa. Quando cresceu, ilustrava o que estava na escola e na rua. Não deu outra. Formou-se em artes pela Universidade Federal do Espírito Santo (UFES) e acabou se especializando em arte e educação. Começou a se dedicar à arte contemporânea e atualmente expõe suas séries em diversas regiões do brasil.
A partir de desenhos realizados no balanço de viagens de ônibus por diversas cidades do país, a exemplo de Vitória, São Paulo e Porto Alegre, Pâmela captou a simplicidade que lhe aparecia. Trata-se da reprodução gráfica de elementos presentes no cotidiano de quem vive nas grandes metrópoles, evidenciando o que está em cena no dia-a-dia corriqueiro, como postes, fios, semáforos, esquinas de bares.
O resultado são reproduções de figuras que se impõem na paisagem urbana diária. Através de uma própria linguagem, Pâmela potencializa o dia-a-dia como elemento estético, aludindo à ideia de que a arte está nas ruas, e não somente em locais de reconhecido potencial artístico, como nas galerias. De acordo com ela, nas artes, existe um conceito errôneo de que só o que é dito belo pode ser considerado arte. O que não é verdade. Existe beleza nos defeitos e nos contrastes.
As pessoas e objetos explorados pela capixaba são donos de múltiplos planos e possibilidades, a exemplo dos detalhes que se repetem, como nos fios elétricos dos postes de luz, ou nas faixas de pedestres. A beleza das paisagens vai aos poucos se revelando. Como na famosa afirmação do filme Beleza Americana, dirigido por Sam Mendes, de 1999: “às vezes eu sinto que no mundo há tanta beleza que não vou conseguir suportá-la”.
Para a exposição Paisagens Urbanas, Pâmela selecionou 25 obras. Além de serigrafia, ela gosta de trabalhar com o bordado, com o texto e a fotografia. Na verdade, a artista afirma que não se podem distinguir quais são seus principais elementos de criação. Ela acredita que atualmente, com o advento da arte contemporânea, não há como separar o que é determinado tipo de trabalho artístico. Tudo está muito híbrido.
e não para por aí. Considerado por muitos como um dos grandes nomes da arte contemporânea brasileira, Marco Magalhães escolheu Goiânia para expor sua mais recente produção de pinturas, feitas de 2010 a 2013. Com a temática “o ser humano e a representação de um figurativo expressionista”, suas obras dizem respeito à memória, lugares indecifráveis e ambientes que lhe atraem.
Graduado em Comunicação Social em 1988 e com formação eclética, se dedica às artes plásticas desde o início dos anos 2000, quando descobriu a fotografia. Também estudou desenho e passou a ter a câmera fotográfica como principal ferramenta de trabalho. Atualmente estuda pintura no instituto Tomie Ohtake, em São Paulo, com o artista e professor Paulo Pasta.
Na exposição, o olhar de Magalhães é constantemente atraído por lugares, objetos, pessoas, cores e cenários que remetem a pintura. As obras transitam pelos dois suportes e não é difícil identificar um diálogo entre eles. O uso da imagem como simples referência da memória é o que faz com que o paulista crie suas obras de maneira subjetivas.
Já sala Reinaldo Barbalho, a gaúcha Carla Rosane abre sua mostra Cena Contemporânea, com obras em xilogravura. O seu trabalho procura criar uma relação com o cotidiano atual, com a rotina de movimento, de múltiplas ações, isolamento, encontro, solidão e anseios; é a representação do mundo que percebe: de dualidades, de oposições díspares, a cena contemporânea onde imagens se proliferam convulsivamente numa oferta irrecusável a um olhar reflexivo, contaminado e imerso neste caldeirão efervescente que é o mundo em que habitamos.









