Pedir conselhos, desabafar sobre problemas pessoais ou simplesmente procurar alguém para conversar. Situações como essas, antes restritas às relações entre familiares, amigos ou profissionais especializados, passaram a incluir um novo interlocutor: a inteligência artificial.
O crescimento desse comportamento tem despertado debates sobre tecnologia, emoções e relações humanas. Afinal, por que cada vez mais pessoas recorrem à IA para falar sobre sentimentos, inseguranças e decisões da vida?
Para a professora de Filosofia da Nova Acrópole, Sheila Cunha, esse fenômeno revela características importantes da sociedade contemporânea.
Assista à entrevista
Segundo ela, ao longo da história, os seres humanos sempre buscaram espaços de escuta para compartilhar dúvidas, medos e inquietações. A diferença é que, hoje, essa conversa também pode acontecer com uma ferramenta tecnológica disponível a qualquer hora do dia.
“O fenômeno revela uma sociedade que valoriza cada vez mais a praticidade e o acesso imediato às respostas, mas que também demonstra uma necessidade constante de ser ouvida”, analisa.
Organizar pensamentos pode ser um benefício
Embora a inteligência artificial não substitua a experiência humana, Sheila avalia que o uso dessas ferramentas pode ter aspectos positivos.
Escrever sobre um problema, organizar ideias e transformar sentimentos em palavras pode ajudar muitas pessoas a enxergar melhor a própria situação. Nesse sentido, a tecnologia pode funcionar como um recurso de reflexão inicial.
No entanto, a professora faz um alerta: existe uma diferença importante entre receber respostas organizadas e encontrar compreensão genuína.
“A inteligência artificial consegue processar informações e construir respostas coerentes, mas não vivencia emoções nem estabelece vínculos humanos. Há uma diferença entre parecer compreender alguém e realmente compreender.”
Respostas rápidas para questões complexas
Outro ponto levantado pela filósofa é a busca crescente por soluções imediatas para dilemas que, muitas vezes, exigem tempo, amadurecimento e convivência.
Questões relacionadas às emoções, aos relacionamentos e às escolhas pessoais dificilmente podem ser resolvidas apenas por uma resposta pronta.
Para Sheila, enfrentar dúvidas, lidar com frustrações e refletir sobre diferentes possibilidades faz parte do desenvolvimento humano.
O papel da Filosofia na era da inteligência artificial
Em um cenário em que as respostas chegam em poucos segundos, a Filosofia continua desempenhando um papel fundamental: estimular perguntas cada vez melhores.
Mais do que oferecer soluções prontas, o pensamento filosófico convida as pessoas a refletirem sobre si mesmas, compreenderem suas escolhas e desenvolverem autonomia diante dos desafios da vida.
Para a especialista, a tecnologia pode ser uma importante aliada quando utilizada de forma consciente. No entanto, o autoconhecimento, a escuta e a construção das relações humanas continuam sendo experiências que exigem presença, diálogo e tempo para acontecer.
SER Goiás na TV
O SER Goiás na TV é um programa educativo diário produzido pela Fundação Sagres, em parceria com a Secretaria de Estado da Educação de Goiás (Seduc-GO), que amplia a experiência da sala de aula por meio da televisão ao integrar comunicação e educação.
O programa aborda o reforço escolar, a recomposição das aprendizagens e os desafios contemporâneos da educação básica, oferecendo conteúdo construtivo, instrucional e orientador para estudantes, famílias e comunidade, com entrevistas, videoaulas e diretrizes pedagógicas alinhadas às políticas educacionais, em consonância com o ODS 4 – Educação de Qualidade, da Organização das Nações Unidas, reafirmando o compromisso com uma aprendizagem inclusiva, equitativa e transformadora. Todos os dias, uma edição inédita, a partir das 14h, na Demà Sagres TV.
Leia mais sobre o SER Goiás na TV
Opinião ou conhecimento? Filosofia explica como transformar ideias em argumentos
Você pensa ou a inteligência artificial pensa por você? Entenda o desafio da era digital
Comer também é aprender? Entenda o papel da alimentação na escola








