Um levantamento realizado pelo instituto de pesquisas Ipsos, encomendada pela plataforma de verificação de idade Unico, aponta que 11% dos jovens brasileiros realizaram apostas online em 2025. O maior índice atinge os rapazes de 16 e 17 anos, em que 20% declararam já ter apostado. Entre as meninas, a maior incidência ocorre na faixa de 14 e 15 anos, somando 14%.
Para detalhar os impactos e consequências desse cenário entre os jovens brasileiros, o programa Ser Goiás na TV conversou com a psicóloga Laura Palmer.
Assista a entrevista completa:
O que leva às apostas?
De acordo com a pesquisa, 41% dos entrevistados apostaram motivados pela curiosidade. Segundo Laura Palmer, esse sentimento está diretamente relacionada com o desenvolvimento neurológico dos adolescentes. Enquanto as áreas do cérebro associadas à busca por prazer, recompensas rápidas e novidades já estão mais desenvolvidas, sentimentos como avaliação de consequencias, planejamento e controle de impulsos ainda estão em desenvolvimento.
Esse descompasso entre a busca por recompensa imediata e a análise de consequências futuras cria o cenário ideal para que o mecanismo das apostas se torne uma armadilha. Os riscos vão além do prejuízo financeiro. A psicóloga alerta que o vício costuma desencadear ciclos de frustração, ansidade e culpa que, sem o devido acompanhamento, podem evoluir para transtornos psicológicos mais graves.
O papel da família e da escola
A presença ativa e a comunicação aberta dentro de casa são as principais ferramentas de prevenção. Para a psicóloga, o acompanhamento pode ser uma das melhores formas de prevenção: “Olhar com atenção, com presença. Querer realmente entender e escutar o seu filho.” Para ela, as intervenções são necessárias. Mas no caso de adolescentes, o espaço de escuta e de reflexão pode ser mais efetivo do que a punição imediata.
A escola também desempenha um papel fundamental no processo de conscientização, especialmente com a forte exposição a propagandas e publicidade de apostas online: “Incentivar palestras, rodas de conversa, falar sobre esse assunto abertamente. Trazer a realidade e as consequências”, explica, podem ajudar no processo de reflexão sobre o assunto.










