Desde a trágica morte do cantor Cristiano Araújo, ícone do sertanejo universitário, uma onda “sertanejofóbica” apareceu por aqui, inundando principalmente as redes sociais, onde as pessoas são mais ‘corajosas’ e atrevidas. A verdade é que ela sempre existiu, mas agora é que resolveu aparecer com tudo. Para resumir, a história é a seguinte: quem ouve sertanejo é mais burro e culturalmente inferior a quem ouve rock, mpb, samba, ou funk e etc.

Não entendo como alguém que escuta crianças de 7 ou 8 anos cantando “roça o peru nela que ela gosta”, pode se achar mais inteligente que alguém. Mas tirando esse caso, em que acho um tremendo absurdo crianças cantando e reproduzindo cenas pornográficas através de pseudo-músicas, não quero fazer juízo de valor a nenhum outro tipo de canção ou estilo musical. Pra mim, cada um tem seus valores negativos e positivos.

O que me incomoda de verdade é como o ser humano é pequeno, vil. Simplificando, “sem mais nada para fazer”. O que te fere se alguém escuta sertanejo? Será que Einstein ou Newton não teriam o direito de cantar um: “ainda onteeeem, chorei de…saudadeeeeee?”. E se no Ipod de Steve Jobs tivessem músicas de Jorge e Mateus? Ou se no pc de Bill Gattes a lista de reprodução do seu Windows Media Player fosse de Bee Gees a Gustavo Lima?

De verdade, alguém me explica o sentido disso tudo? Como alguém pode ser burro ou inferior intelectualmente por escutar certo tipo de música? Principalmente gosto musical, que é algo super diverso e individual, altamente específico. Agora com a realização do Villa Mix, um dos maiores eventos sertanejos do mundo, aqui em Goiânia, fui obrigado a ler na time line que “Nós, de bom gosto musical, agradecemos caso o evento seja interditado ano que vem”.

SÉRIO?? “Nós, de bom gosto musical”?????? O que te faz crer, meu caro, que por não escutar sertanejo, seu gosto musical é bom e o dos demais não é? Se alguém tive alguma prova científica que o cérebro de quem escuta sertanejo é inferior ao demais, me apresenta, por favor. Ficarei realmente muito grato e à partir disso revogarei de imediato minha opinião.

O dia que o ser humano se preocupar menos com esse tipo de coisa e respeitar os demais, esse “mundão véi de Deus” poderá pensar em evoluir um pouquinho mais.