A decepção nunca é algo fácil de se lidar, seja ela de qual tamanho for. Ela nos põe de joelhos perante ao nosso maior medo e escancara da maneira mais cínica possível as nossas fraquezas. A decepção nada mais é que a materialização pura e simples do nosso fracasso. Talvez seja por isso que elas nos marcam tão profundamente e jamais se deixam ser esquecidas.
É inevitável que vez ou outra nós nos deparemos com elas ao longo da nossa caminhada. Às vezes estão disfarçadas de pessoas, outras vezes se vestem de promessas ou sentimentos, mas as mais traiçoeiras se plantam em nossas mentes como sonhos. Nos fazem acreditar em ideais, vislumbrar miragens, para depois se revelarem como tornados e levarem embora nosso mundo.
São episódios que, com certeza, todo mundo quereria apagar de suas mentes, mas não dá. Eles ficam em nós e insistem em não irem mais embora. Se fundem ao nossos sentimentos, se atrelam à nossa história e acabam por nos transformar no que somos e seremos depois. Sim, cada um de nós carrega em si um pouco de suas decepções.
Eu confesso que nunca aprendi a me envolver com as decepções. Reluto em enxergá-las mesmo quando se colocam tão claramente à minha frente que qualquer pessoa, por mais distante que seja de mim, consiga perceber e prever o final triste. Eu não, vou até o fim. E depois me arrependo. Me arrependo porque poderia ter evitado e não evitei.
E para a decepção não basta destruir aquilo que você acredita, ela tem que te fazer sentir culpado também. E, afinal, ela ainda tem razão. Somos culpados, sim, por nos deixar levar e trabalhar para solidificar o que será nos será tirado logo em seguida. Sem isso, as decepções não teriam sobre nós o poder que elas têm.
Por outro lado, que culpa nós teríamos se entramos de corpo e alma em tudo acreditando no melhor? Que culpa poderíamos ter se preferimos pensar que tudo vai dar certo e tentar fazer com que isso realmente aconteça? Às vezes a gente paga por isso, por acreditar demais, por arriscar em alguém ou em um sonho. É o preço que se paga por buscar a felicidade.
A certeza que se dá para ter é que nunca haverá uma última decepção. Elas são processos contínuos, que continuam a aparecer mesmo quando a gente acha que está preparado para lidar com elas. E Não, nós nunca estaremos preparados.











