Foto: Jéssica Dias

 

O Atlético Clube Goianiense (ACG) contratou o goleiro Jean, que chega por empréstimo do São Paulo, até o final da temporada. A chegada do jogador ao clube goiano causou polêmica nas redes sociais. Jean foi preso no dia 18 de dezembro nos Estados Unidos acusado de agredir a esposa Milena Bemfica durante as férias da família. Por causa do ocorrido o time paulista suspendeu o contrato com o atleta até o final deste ano.

Antes de acertar com o Dragão, Jean despertou interesse do Ceará, mas um movimento da torcida do clube cearense nas redes sociais fez com que a diretoria desistisse da contratação. Esse movimento é conhecido no meio virtual como “cultura do cancelamento”. O cancelamento de celebridades é relacionado ao movimento #MeToo, que se trata de uma série de denúncias de assédio sexual contra homens poderosos que se espalhou pelo mundo a partir de 2017. As pessoas buscam através do cancelamento a responsabilização de pessoas públicas por seus atos e declarações.

Para compreender melhor a conexão entre o caso do goleiro Jean contratado pelo Atlético-GO e a cultura do cancelamento, o Debate Super Sábado recebeu no estúdio a socióloga Aava Santiago, a jornalista Josiane Coutinho e o advogado Pedro Paulo Medeiros.

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Jean continuará respondendo ao processo no país norte-americano pelo crime de violência doméstica. O advogado Pedro Paulo Medeiros explica o viés jurídico do caso. “Tem vários aspectos que precisam ser analisados no caso e não quero opinar sobre o processo do Jean, porque ele tem advogado e é antiético. Mas vamos pensar o seguinte: o Jean não foi ainda processado e nem condenado, portanto ele é inocente. Não vi ainda uma setença judicial sobre o que ele fez, então não podemos dizer nem que ele confessou o que fez”. Medeiros explica que Jean não pode ser proibido de trabalhar porque uma punição a respeito não foi setenciada por um juiz.

A Jornalista Josiane Coutinho destaca que Jean cometeu um crime e questiona quais as ações do Atlético para a ressocialização do goleiro. “O Atlético é um clube de futebol ou um centro de reabilitação? Quais as ações concretas do Atlético?. Como que o Atlético vai se posicionar com uma pessoa dessa dentro do time? Eu enxergo de uma forma bastante complicada, eu acho que ele tem que trabalhar, mas agora? Há menos de um mês. Vai treinar goleiro, procura uma outra ocupação, mas trazer ele para uma posição de destaque? Não. Eu acho que é um erro e o Atlético assumiu um desgaste que não era dele”.

A socióloga Aava Santiago, acredita que a associação do caso Jean com a cultura do cancelamento seja um equívoco. “O debate da cultura do cancelamento está majoritariamente no campo das redes sociais. No meu tempo o nome desse debate era cultura do escraxo, que era expor uma pessoa e foi no início das denúncias formatadas por redes sociais. Tiveram alguns movimentos interessantes de #hashtags . O conceito é quando alguém faz alguma coisa que é desaprovada, que é ofensivi ou que a gente não gosta, ou que não cumpre determinados protocolos que atende o público daquela pessoa que é cancelada. Aí já não é mais cultura do cancelamento, não é mais um alvoroço de redes sociais, não é o caso, nós estamos falamos de um crime”. 

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