No terceiro dia de cobertura da Copa das Confederações fiz o reconhecimento do gramado. Com toda liberdade pude caminhar e conhecer todas as instalações da Arena Pernambuco. Um estádio que custou algo em torno de 530 milhões de reais e foi projetada com materiais semelhantes ao utilizados na Allianz Arena em Munique. Ela possui fechamento lateral com um filme de ETFE (etilenotetrafluoretileno) que deu a famosa forma de pneu ao estádio alemão. O plástico permite a variação de cores na iluminação de LED na parte externa. Outro detalhe é que este é o mesmo gramado utilizado no Camp Nou, em Barcelona.
Por fora, realmente é uma obra magnífica. A nova arena brasileira está circundada pela mata atlântica, as margens do rio Capibaribe, que corta a capital pernambucana de ponta a ponta, e em frente ao condomínio fechado Alphaville. No entorno ainda há muita obra, máquinas trabalhando e entulhos. Um cenário não muito diferente do que encontramos em outros cantos pelo nosso país.
Dentro do estádio, a situação está bastante avançada, porém não concluída. A única parte perfeita será que a que vai aparecer nas imagens para todo o mundo. O campo e as arquibancadas. Por dentro, pisos por fazer, escadas sem corrimão, rampas sem acabamento, banheiros sem água e muito improviso. Dois pontos a exaltar – a condição de estrutura quanto a velocidade da internet, acomodações para poder enviar o material tranquilamente e a atenção dos voluntários em proporcionar a todos (torcedores e jornalistas) a solução de qualquer problema.
TIMES E O FATOR PICA PAU
A Espanha realizou normalmente o protocolo da FIFA e fez o reconhecimento do gramado no final da tarde desta sábado. O Uruguai solicitou o cancelamento desta atividade que foi prontamente atendido pela organização. O técnico Vicente del Bosque mantém o mistério na formação da equipe. Iker Casillas é o goleiro e o capitão. Acredito que o tempo parado se recuperando de uma fratura na mão pode influenciar na decisão do comandante espanhol. Desta forma, Victor Váldez seguirá como “el portero” assim como foi no amistoso contra Irlanda do Norte nos Estados Unidos.
O selecionado europeu teve tudo a disposição. Menos o sol que não apareceu nos primeiros dias que chegaram em Recife. Se Espanha tem tudo, o Uruguai ficou com todo o sofrimento e a maior vergonha neste início de Copa das Confederações. Centros de Treinamentos muito distantes da concentração, muito tempo perdido em trânsito e o técnico Óscar Tabárez foi obrigado a mudar várias vezes a programação:
– Tomamos a decisão baseado no que nos foi oferecido nos últimos dias. Quando se gasta 3 horas de viagem para ir treinar e voltar, quando se perde um treinamento por não tem campo para fazê-lo, quando estamos na véspera da partida e fossemos cumprir o horário sairíamos as 11 da noite do estádio. Pensamos em outras possibilidades como trazer os jogadores depois do jantar até aqui, mas desistimos. Eu estou no comando da equipe e tenho que pensar nos interesses de Uruguai. Este não é um ato de rebeldia ou crítica, entendo que foi apenas uma incompatibilidade entre a organização e nossos interesses – explicou o comandante sulamericano.
Além disso, Tabárez foi contundente em relatar que em Recife se pensou mais em Resorts, praias e turismo que propriamente em condições para as seleções trabalharem.
Perante a esta situação, a imagem do Comitê Organizador Local já começa a ficar desgastada. A imprensa internacional que está presente no Pernambuco está horrorizada com tudo que está sendo apresentado e executado diante dos olhos deles. Tanto que um período esportivo de Montivideu, ligado ao jornal El País, relatou que ao chegar no treino da celeste, em tom de ironia, que estavam indo para o Sítio do Pica Pau Amarelo.








