(Foto: Reprodução / Internet)

Uma pesquisa da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE), revelou que os professores brasileiros são os que recebem os piores salários em um universo de 48 países avaliados. O levantamento também mostrou que, ao contrário de outros países, os profissionais de educação brasileiros não têm diferença de salário ao longo da carreira.

Para discutir o assunto, a Rádio Sagres conversou com a diretora do Centro de Excelência e Inovação em Políticas Educacionais da Fundação Getúlio Vargas. Ela destaca que os salários dos professores não acompanham os de outras profissões e destaca dois problemas.

“Há dois problemas, ele [salário] não aumentou na mesma proporção que outras profissões que demandam a mesma escolaridade” avaliou. “Segundo, a profissão de professor traz alguns desafios que são próprios dela, como a lidar com a juventude, que incorpora na sala de aula de meios mais vulneráveis, crianças com deficiência e o professor não se sente formado, preparado para essa realidade, porque a formação que recebe no ensino superior é muito divorciada da realidade da sala de aula”.

A especialista aponta que outro problema dos professores no Brasil é o baixo reconhecimento social. “Com o professor a relação da sociedade com a profissão não é de reconhecimento social ou de prestígio, é de piedade, o que é muito ruim, porque nada disso desprofissionaliza mais do que a relação de olhar para o professor com pena” ressaltou.

Cláudia aponta algumas mudanças poderiam impactar sobre a profissão a médio prazo, ela cita como exemplo, país que aderiram ao aumento da nota de corte do vestibular para recrutar os melhores alunos. “Países que quiseram tornar a profissão mais reconhecida fizeram uma coisa que parece contraditória, que é tornar mais difícil de ser professor, eles elevaram a nota de corte” contou.

A diretora ressalta que 25% alunos mais fracos do ensino médio que acabam em cursar a pedagogia ou licenciatura. “Outra coisa que nós temos que melhorar é o currículo das universidades na formação de professor, hoje é muito teórico, todos os especialistas concordam com isso, que é excessivamente teórico” afirmou. “A educação só entra na escola para fazer o que o estágio, mesmo assim esse estágio pode ser até ritualístico”.

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