Fica a dica!!!!! Como o próprio nome já diz, é nosso espaço para sugestões. Vamos garimpar dicas de filmes, livros, discos, locais e qualquer outra coisa que não esteja em destaque no momento, mas que já foi ou que estará em breve na boca do povo. Hoje a dica é a peça 4:48 Psicose, de Sara Kane, adaptada por dois diretores goianos, que estréia dia 8 no teatro Goiânia. 

 

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Possível psicose

 

A união entre desespero e amor, vida e morte, vozes e silêncios nos textos da dramaturga inglesa Sarah Kane é o que faz com que ela seja considerada uma das maiores teatrólogas do século XX. Em muito de seus textos, a exemplo do famoso “4.48 psicose”, é possível vê-la por de trás das palavras. Alguns meses depois de pronto, suicidou-se no banheiro de um hospital em Londres, aos 28 anos.

Escrita como um possível monólogo, a peça teatral já percorreu todo o mundo. Em Goiânia, o denso e inconstante espetáculo de Sarah é encenado pelo grupo panos, que abriu temporada do mês passado no Centro Municipal de Cultura Goiânia Ouro.

O espetáculo apresenta diálogos que podem ser interpretados tanto como conversas da personagem consigo mesma quanto dela com o médico que acompanha seu tratamento. O nome, 4.48 Psicose é uma aliteração ao horário 4h48, que, de acordo com a escritora, seria a hora em que a maioria dos suicídios acontece.

Quando Sarah entrou em depressão aguda, foi internada por duas vezes em hospitais psiquiátricos. Nesse período extremamente conturbado ela escreve 4.48 psychosis- 4:48 psicose – a sua última e mais radical peça. Numa narrativa densa, fragmentada, não-linear, o texto, escrito em 1999, evidencia uma mente conturbada, depressiva e esquizofrenia à beira da loucura.

            Para a montagem goiana, os diretores Allan Santana e Bruna Isac desenvolveram a peça a partir do desejo inquietante da personagem de suicidar-se, fugir do caos de seus pensamentos e ações. De acordo com bruna, a idéia de reviver um texto de Sarah, considerada por muitos como a maior dramaturga inglesa do final do século xx, surgiu da dimensão psicológica que a peça poderia passar para a plateia e para os próprios diretores, produtores e atores.

Relacionando sentimentos mais evidentes como incompletude, agonia, ansiedade e problemas psiquiátricos, o grupo busca na biografia da própria Sarah Kane, possíveis justificativas para os temas em sua obra. Na peça em questão, Kane traz à tona desejos e inquietações próprias dos homens e mulheres contemporâneos. Ela critica a forma de pensamento e ação relacionada ao imediatismo do mundo atual.

Como um projeto de faculdade, os diretores pensaram em realizar a obra 4:48 psicose com o propósito de provocar inquietações. Com duas atrizes, elenco composto por Larissa Sisterolli e Letícia Lemes Santiago, o palco se transforma em um espaço de embate psicológico de uma única mente, internalizando e planejando seu fim. No processo criativo, realizado desde 2011, os diretores realizaram incontáveis leituras dramáticas, escolha de atores, experimentações de estilos e linguagens, treinamentos físicos e ensaios com o texto e improvisações.

Tudo muito simples. O cenário é composto por uma cadeira e um fundo branco. Já a iluminação foi produzida e pensada pelos próprios diretores, Allan e Bruna. A trilha sonora também é assinada por Allan Santana. A intenção é tirar o foco do cenário, na iluminação, para o público prestar bastante atenção no texto e na interpretação das atrizes.

            Além disso, buscaram entender um pouco mais sobre a obra da teatróloga Sarah Kane, que já tinham contato desde os tempos de estudos na Escola de Música e Artes Cênicas (EMAC), na Universidade Federal de Goiás (UFG). Também realizaram uma pesquisa sobre pessoas que sofriam de psicose, depressão e doenças que atingem o psicológico.