A cidade foi inundada pela poluição e o fato é que ninguém na prefeitura liga para isso. Até porque os telefones podem estar grampeados, como no caso da Operação Jeitinho, que resultou em prisões na Agência de Meio Ambiente, a famigerada Amma. A liberação de painéis iluminados é um negócio lucrativo em qualquer lugar, inclusive em Goiânia.

{mp3}stories/audio/2013/Marco/acidadeefato-08.03{/mp3}

A nova forma de poluir a Capital e estressar seus habitantes deve ser atribuída ao prefeito Paulo Garcia, por ação de sua equipe ou omissão diante da perda de controle. Os poluidores pedem e a prefeitura autoriza a instalação de telas imensas nas principais vias. Moradores e motoristas que se explodam. Os painéis ficam ligados dia e noite, poluindo o visual e atrapalhando o trânsito. Se bem investigada, poderia render processo a ligação entre a prefeitura e os poluidores.

No final do século XX, imaginava-se que Goiânia não coubesse mais tanta placa. Mudou o milênio, mas a falta de vergonha das autoridades não muda nunca. Anos atrás, ninguém aguentava, era outdoor para todo lado, placas penduradas em prédios, painéis dentro de escolas. A poluição era validada em lei escrita por vereadores a serviço da mafia ou eles mesmos donos de empresas de outdoors.

Os mandatos de Iris Rezende e Paulo Garcia pioraram o que já era intolerável. Ao contrário da cidade, os painéis ganharam luz. Ao contrário do trânsito, os outdoors ganharam movimento. Se algum promotor de justiça circulasse por Goiânia perceberia que a cidade só tem a perder com a política de tapar o céu com placas. Infelizmente, ninguém está cuidando da Capital. Ninguém. Aliás, ninguém, não. Tem um grupo cuidando muito bem de Goiânia, a seu modo: são os poluidores. Eles estão pagando e andando. Pagando para os corruptos e andando sobre os escombros de uma cidade que se quis sustentável.