Como é de conhecimento geral, um ano tem 12 meses. Mas para a maioria dos clubes goianos, a temporada não dura mais que três. Antigamente, eram chamados times de verão aqueles que eram montados para disputar apenas uma competição. O termo segue muito atual, pois agora os clubes não duram mais que uma estação, não necessariamente o verão.

Ao longo do tempo, as equipes profissionais do interior foram se acostumando com esta situação. Assim, deixam de manter times regulares, não revelam mais jogadores e estão cada vez mais distantes do futebol profissional. Equipes amadoras como o Vasco, de Itaberaí, o Papa-Léguas, de Morrinhos ou o Campinaçu Esporte Clube, tem um calendário anual muito mais extenso do que aqueles filiados à Federação Goiana de Futebol (FGF).

Falando na FGF, esta também tem sua parcela de culpa. A entidade máxima de nosso futebol não possibilita que a maioria de seus filiados exista o ano todo. Vamos a um exemplo prático. Recentemente, o Quirinópolis retornou ao futebol profissional na Terceira Divisão. Se o clube quisesse ficar em atividade durante toda a temporada teria como? A única possibilidade seria jogar o estadual de dois meses e nos outros nove (um mês é de férias) teria que realizar jogos amistosos, haja vista que clubes da Segunda e Terceira Divisão Goiana não têm possibilidades de conquistarem vagas em competições nacionais.

 

Competições

As rivalidades municipais e regionais sempre foram um atrativo a parte no futebol. É preciso saber explorar isto positivamente. Sem contar que com medidas simples, a FGF pode colocar todos os seus filiados ativos em atividade durante toda a temporada.

Recentemente, o colega de Rádio 730, Charlie Pereira, expôs no programa Debates Esportivos, a minha ideia de calendário, mas para quem não ouviu vou repetir nas linhas abaixo.

Eu sou favorável que a FGF realize todas as divisões do Campeonato Goiano no primeiro semestre. No segundo semestre seria realizada a Copa Goiás, mas com divisões regionais na primeira fase. A FGF dividiria o Estado em algumas regiões e promoveria competições individuais em cada uma delas.

As regiões poderiam ficar mais ou menos assim: Copa Sul (América, Morrinhos, Goiatuba, Itumbiara, Caldas, Caldas Novas); Copa Sudoeste (Jataiense, Rio Verde, Mineiros, Santa Helena, Quirinópolis, Iporá, Umuarama); Copa da Estrada de Ferro (CRAC, Novo Horizonte, Pires do Rio e outros); Copa Norte (Goianésia, Ceres, Uruaçu, Mutunópolis, Minuçu, CRET, Porangatu), Copa Anápolis (Anápolis, Anapolina, Grêmio Anápolis, Itaberaí, Inhumas, Itauçu) e Copa Metropolitana (Atlético, Goiás, Goiânia, Vila Nova, Canedense, Trindade, Aparecidense, Monte Cristo).

Assim, as equipes lutariam por títulos, e dentro de sua região. A cada ano teríamos vários campeões no Estado. As conquistas são o objetivo e a graça do futebol. Posteriormente, as equipes que vencerem as disputas regionais jogariam pela Copa Goiás, que poderia dar uma vaga na Copa do Brasil, e talvez, um prêmio em dinheiro.

Os times que disputam competições nacionais poderiam participar das competições estaduais do segundo semestre com equipes alternativas. E em jogos decisivos teriam a opção de colocar suas formações principais, se assim desejassem.

Desta forma, os times poderiam ficar em atividade durante todo o ano, revelar jovens, fazer contratos mais longos, negociar jogadores e manterem uma vida regular.

A minha sugestão está aí aberta para críticas, sugestões e debates.