Além de fomentar atividades ilícitas do grupo criminoso comandado pelo bicheiro Carlinhos Cachoeira, o esquema de desvio de recursos da empreiteira Delta S.A. também servia para o pagamento de propinas e para o financiamento de campanhas políticas. A conclusão é de parlamentares de oposição, que pediram ao Ministério Público o prosseguimento das investigações sobre o envolvimento da construtora com “laranjas” ligados ao esquema do contraventor goiano.

Segundo a representação enviada à Procuradoria-Geral da República na quarta-feira (7), a partir da quebra dos sigilos bancário e fiscal da empreiteira dos últimos 10 anos, foram constatadas transações financeiras que somavam um volume equivalente a R$ 12,34 bilhões. “A análise dos dados ao longo da CPI trouxe à luz um forte esquema de simulações de negócios envolvendo outras pessoas jurídicas de menor porte, supostamente fornecedoras da Delta. A empreiteira valia-se de “fantasmas” ou “laranjas” para movimentar recursos financeiros com objetivos espúrios e ilegais”, aponta o documento.

Os parlamentares identificaram R$ 421 milhões enviados pela Delta, por meio de quatro contas bancárias em quatro diferentes instituições, a 18 pessoas jurídicas de fachada, supostamente fornecedoras de produtos e serviços, entre elas a Alberto & Pantoja Construções, a Brava Construções e a SP Terraplenagem.

A distribuição desses recursos, conforme revelam os extratos bancários, aponta para uma grande concentração em épocas eleitorais. Por isso, informa a representação, “pode-se concluir que houve abastecimento de campanhas políticas com somas bastante expressivas”.

A representação entregue ao Ministério Público é assinada pelos líderes senador Alvaro Dias (PSDB-PR) e deputado Bruno Araújo (PSDB-PE); pelo líder da Minoria na Câmara, Mendes Thame (PSDB-SP); pelos senadores Cássio Cunha Lima (PSDB-PB) e Cyro Miranda (PSDB-GO); e pelos deputados federais Carlos Sampaio (PSDB-SP), Domingos Sávio (PSDB-MG), Vaz de Lima (PSDB-SP) e Vanderlei Macris (PSDB-SP).

Da Agência Senado.