A cidade ficou assustada com tanto pedinte nos semáforos durante as festas do fim de 2012 e o fato permanece em 2013. Além dos mendigos, as esquinas estão povoadas por malabaristas, distribuidores de folhetos, limpadores de para-brisa, fumadores de crack. É uma fauna imensa queimando a flora, sente-se no ar o cheiro de maconha.
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Ao sol de rachar ou sob chuva inclemente, jovens gastam a pele tentando entregar panfletos. Oferecem lotes, divulgam produtos de supermercado e até artigos luxuosos de joalheria aos quais nunca terão acesso. É uma publicidade tão eficiente que 90% dos motoristas a recusam ou sequer abrem o vidro. Quem aceita o folheto o atira imediatamente no asfalto ou na lixeirinha do carro.
Artistas, a maioria recém-chegada de Peru e Bolívia, fazem proezas atirando bolas ao alto simultaneamente ou equilibrando chapéu.
Craqueiros esquálidos se aproximam da janela apresentando a mão cadavérica e queimada ao fumar as pedras. Dependem da caridade alheia para continuarem a acabar com a própria vida. Alguns usuários de outras drogas, como maconha, fingem doença para conseguir moedas. Seu único mal é o uso do entorpecente.
No trânsito caótico da metrópole acéfala, o cruzamento de ruas virou local de convivência. O sinal verde para o condutor e desmancha a alegria da moça dos folhetos. O malabarista mostra ainda mais desenvoltura ao sobreviver entre os veículos à cata do trocado que a plateia atira ao chão. O flanelinha lava parte do vidro e almeja com isso pagar a faculdade.
Eis a nova paisagem de Goiânia. O universitário de esponja em punho, o folheteiro rejeitado, o dependente químico se suicidando, o artista circense internacional dando show em busca de moedinhas, o mendigo com doença de araque. Tudo ali na esquina, em qualquer esquina, entre o sinal vermelho para os excluídos da estabilidade econômica e o sinal verde para o Brasil que avança. Era assim só Natal. Agora é assim o ano inteiro.







