A cidade sediou nesses dias a briga pelas tarifas de ônibus e esse nem foi o fato marcante. O mais grave esteve na busca de um oficial de justiça, que percorreu Goiânia atrás do presidente da Companhia Metropolitana de Transporte Coletivo. A CMTC é uma das siglas que dão ânsia de vômito em quem necessita se locomover pela Capital, não no tour atrás do representante, mas em busca de coisa séria.
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A briga para achar o sujeito que manda na CMTC é tão “inglória” quanto buscar agulha em alfaiataria e feno em palheiro. Como esse pessoal pensa que é deus, se acha onipresente. Todo mundo acha que manda na companhia e, ao mesmo tempo, ninguém apita nada. Quando o caldo engrossa, esses irresponsáveis se dizem de garganta fina. Na verdade, o que eles têm mesmo é a goela larga para o dinheiro dos coitados.
Querer que representante de transporte coletivo responda por seus atos é o mesmo que pedir a cachorro para não correr atrás de linguiça. Existe uma clara separação entre máfia de ônibus e bom senso, entre tarifa e justiça, entre barão do transporte coletivo e pessoas decentes. Cada qual tem suas razões dos dois lados e no fim outros lados sofrem, o lado de fora e o lado de dentro dos ônibus. Do lado de fora, as vítimas se espremem para entrar. Do lado de dentro, as vítimas são espremidas para sair.
A discussão sobre o valor da tarifa é válida, mas não pode anular a necessidade do debate sobre a desumanidade do transporte. A tortura começa nos terminais de passageiros, que não à toa têm o apelido de currais. A tortura continua dentro dos ônibus, que são sujos, atrasados e em número insuficiente para atender a demanda.
Usuário sempre foi desrespeitado e nunca houve repercussão. Vamos ver se agora, com a tentativa de humilhar a Justiça, alguém toma alguma providência. O que esse pessoal costuma tomar é uísque à custa das vítimas que dependem de ônibus para estudar, passear, trabalhar. O passageiro torce para que os empresários e seus representantes tomem ao menos vergonha.










