Oswaldo, um homem que como muitos nascidos no nordeste brasileiro, deixou à terra natal para buscar a sorte em outro estado do país. 

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Ele nasceu em Crato, no estado do Ceará. A promessa de que em Goiás havia muita água e de que no Estado o progresso marchava, motivou a vinda de um grupo de nordestinos no qual Oswaldo fez parte.

Com quatro anos de idade ele embarcou em um pau-de-arara, junto com os pais e mais três irmãos. O destino final da viagem, que durou 20 dias, era o berço da nova capital de Goiás: o bairro de Campinas.Ao chegar à nova terra e encontrar uma realidade diferente, muitos retirantes nordestinos preferiram voltar para sua terra natal. A família de Oswaldo até pensou em retornar, porém a falta de dinheiro não permitiu a viagem de volta.

Antes de superar os problemas financeiros e mandar a pobreza para longe, a família de Oswaldo passou por inúmeras dificuldades. A maior delas foi a alimentação. 

A adversidade logo foi driblada pela família nordestina. Cortes de carne com preços mais em conta, que faziam parte da cultura nordestina, não eram comercializados em Campinas. Os pedaços tinham como destino certo o lixo. A amizade com os açougueiros e com donos de galos de briga ajudou os pais e irmãos de Oswaldo a matarem a fome.

A família deu as mãos e a pobreza começou a ficar para trás graças ao suor do pai de Oswaldo, José Dionísio. Uma sapataria foi montada pela família. Calçados começaram a ser vendidos em uma feira livre e hoje o empreendimento é uma grande rede deste gênero em Goiânia.

A paisagem de Campinas nos anos 50, período de chegada da família de Oswaldo no bairro, era bem diferente. Hoje onde existe puro concreto e asfalto, parte de um trecho da Avenida Leste Oeste, tinha um o cenário que é relembrado com muita saudade pelo homem que chegou a Campininha com quatro anos de idade.

É difícil acreditar que em meio a um monte de asfalto sem vida, um caminho para apressados, já foi um dia um lugar manso. Naquela época, em vez de automóveis, quem circulavam pela região eram os carros de bois.

O amor pelo bairro que o acolheu, fez com que Oswaldo se tornasse um servidor de Campinas. Hoje ocupa o cargo de presidente da associação de moradores do setor, e, atua na defesa dos interesses campineiros.Depois de abandonar a incerteza e vir para uma nova terra, Oswaldo Dionísio dos Santos, com muita simplicidade se considera um vencedor e fica como exemplo para quem quer crescer na vida.

Oswaldo Dionísio dos Santos tem 65 anos, é pai de três filhos e avô de sete netos.

 

Esta é uma matéria especial de Samuel Straioto