Muitos abordam o confronto com um clima de vingança pelo que aconteceu há 63 anos atrás, mas o contexto agora é bem diferente. Não é uma final, é uma semifinal. Não é uma Copa do Mundo, é uma Copa das Confederações. Não é o Maracanã, mas sim o Mineirão. Mesmo com todas essas diferenças, o duelo entre Brasil e Uruguai nesta quarta-feira, às 16h, em Belo Horizonte, promete ser uma verdadeira batalha.

Depois de 1950, “o Maracanazo” e toda a mística vivida por aqueles personagens, a rivalidade entre brasileiros e uruguaios cresceu bastante, e vários jogos épicos já foram disputados, mas talvez nenhum com a importância que tem o dessa tarde. O objetivo é evitar um “Mineirazo”, e para isso, a equipe treinada por Luiz Felipe Scolari tratou de mostrar muito respeito e concentração para o confronto.

Foram três vitórias na primeira fase, sobre Japão, México e a poderosa Itália, mas tudo isso é passado. Mesmo com um bom futebol apresentado em momentos do três confrontos, Felipão quer mais do seu time, mas evita fazer qualquer mudança. A única novidade é mesmo o retorno de Paulinho, volante contratado pelo Tottenham (ING), que não jogou contra a Itália por lesão. O treinador revela o que sabe do adversário e afasta qualquer pressão do confronto.

Eu nem era nascido em 50, nasci em 64. Aconteceu uma derrota, em um jogo de futebol em que uma das duas equipes tem que vencer e naquela oportunidade o Uruguai foi melhor. Não há nada psicológico que influencie nesse jogo. Não vou fazer uma análise completa do Uruguai porque eu não conheço. Tem o Cavani que foi o goleador na Itália, o Forlán que foi o melhor jogador da última Copa e o Suárez que foi eleito o melhor jogador da Liga da Inglaterra. Então são vários jogadores de qualidade”

Os uruguaios também não querem saber dessa mística de 63 anos atrás, mesmo que joguem à favor dela. O técnico Oscar Tabárez também não quis saber de comparações com 1950, pois para ele e todos os uruguaios, aquele título é o principal da história e está no topo, nada se compara àquela conquista. De qualquer forma, o hoje também é importante e o treinador adota o mistério.

O treinador tratou de garantir que a base da Seleção será a mesma, sem muitas surpresas, mas levará uma dúvida para momentos antes da partida: Forlán, que deixaria o time mais ofensivo, ou Álvaro Gonzalez, meio-campo que joga pelo lado esquerdo. De qualquer forma, sua dúvida maior está no adversário, e Tabárez resume o que preocupa no Brasil

“Tudo: sua proposta ofensiva, o posicionamento de jogo no meio-campo quando perde a bola, o início de jogo avassalador e o bom jogo coletivo. Mas, quando você começa uma partida, ali são os jogadores, é onze contra onze e confio nos meus atletas, nas suas atitudes, na sua entrega dentro de campo. É um rival tão difícil quanto motivante, e nesse sentido, seremos teimosos e obcecados, vamos buscar a vitória”

FICHA TÉCNICA

BRASIL X URUGUAI

Local: Estádio Mineirão, em Belo Horizonte (MG)
Data: 26 de junho de 2013, quarta-feira
Horário: 16 horas (de Brasília)
Árbitro: Enrique Osses (Chile)
Assistentes: Carlos Atroza e Sergio Román (ambos do Chile)

BRASIL: Júlio César; Daniel Alves, Thiago Silva, David Luiz e Marcelo; Luiz Gustavo, Paulinho e Oscar; Hulk, Fred e Neymar
Técnico: Luiz Felipe Scolari

URUGUAI: Muslera; Maxi Pereira, Lugano, Godín e Cáceres; Diego Pérez, Arévalo Ríos e Cristian Rodriguez; Diego Forlán, Luis Suárez e Cavani
Técnico: Óscar Tabárez