A cidade tem um dos piores transportes coletivos do Brasil e o fato não é escondido mais sequer pelos governos e pelas empresas. Antes, as autoridades e os donos dos ônibus mentiam sobre a qualidade do serviço, que o usuário sempre considerou uma tortura. Agora, ninguém mais duvida de que se trata de uma humilhação sem fim. Não se entende como a Grande Goiânia convive há tanto tempo com um sistema que consegue desagradar a todos, até a quem lucra com ele.

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Prefeitura e governo do Estado exigem providências. O usuário está de tal maneira insatisfeito que foi o pioneiro nas manifestações: os protestos que lotaram as ruas do País começaram por Goiânia. E, agora, os proprietários dos ônibus também se revoltam e seus empregados fizeram ruidosa aparição em frente à sede do governo. Se até os donos das empresas estão insatisfeitos, então o fim do mundo chegou, batam a tampa do caixão, acertem com o coveiro ou o cadáver da tal mobilidade será devorado pelos urubus.

É fato que as empresas estão quebradas. Operam no vermelho desde 2003. Na última licitação, se comprometeram com tarifas menores que as necessárias. E o resultado foi o sucateamento da frota e do cofre. Difícil é convencer a sociedade da penúria instalada nas garagens. Aliás, algumas já venderam até a própria garagem. Todas estão rodando pelo milagre de vender bens, principalmente imóveis, conquistados em outras épocas. É esse patrimônio, às vezes ostentado pela praga da vaidade de alguns, que os manifestantes apedrejam.

Ao longo das décadas, as famílias donas de ônibus ganharam popularidade, além de muito dinheiro. Nem todos os integrantes das famílias eram discretos e fixaram no imaginário popular a condição de ricaços. Portanto, fica complicado convencer que os milionários acabaram na pindaíba e é preciso aumentar a tarifa ou receber subsídio do governo. É verdade que a fase é de pré-falimentar, que quitam os salários dos empregados com recursos de outras fontes. Mas também é verdade que eles próprios criaram o mito de endinheirados. Ficou tarde para pregar humildade. Estão mais atrasados que seus ônibus.