À frente do gol do Goiás desde 1990, Harlei é, praticamente, um patrimônio do clube. Passando por situações boas – como a Libertadores da América de 2006 – e ruins – como a Série B em 1999 -, o jogador sempre declarou amor ao time esmeraldino, mesmo já tendo vestido a camisa do arqui rival, Vila Nova.

Fora do time para realizar uma cirurgia no braço, ele, agora, está recuperado. Em entrevista ao repórter da RÁDIO 730, André Rodrigues, ele fala sobre a vontade de voltar a ser titular, renovar o contrato ou, quem sabe, ter que se transferir para outro clube. Confira a íntegra da matéria.

Como está sua condição física, Harlei?

Eu estou 100%, graças a Deus, totalmente 100%. Tive uma parada na parte técnica, porque na física eu pude treinar, normalmente. Mas com a parada que teve para a Copa do Mundo, os jogadores tiveram 10 dias de folga e eu fiquei treinando em dois períodos, todos os dias. E agora, com praticamente mais duas semanas e meia de trabalhos, já me encontro totalmente recuperado, bem melhor do que eu estava antes da cirurgia. Já que eu vinha tendo muitos problemas por causa da contusão.

Há muito tempo você não treina com tanta qualidade. “Está voando baixo”. Concorda?

É verdade. Eu consegui dar uma lapidada muito boa na parte técnica. Os treinamentos que venho realizando com o Ailton e com o Edmar tem surtido muito efeito, com muita dinâmica, rapidez e agilidade. E eu venho tendo, realmente, uma resposta muito boa. É um tipo de treinamento importante para mim, pela minha estatura. Então, eu tenho que estar muito bem na agilidade. Tenho certeza que eu vou estar bem diferente de quando eu saí para realizar a cirurgia.

Pelo que tem visto nos treinos, você acha que vai retornar ao gol do Goiás?

Isso é difícil de afirmar. Isso é muito pessoal de cada treinador. De repente o professor Leão pode entender que eu perdi espaço porque eu saí para fazer a cirurgia. De repente ele pode entender que a minha experiência e liderança seja importante para esse momento do Goiás… Sei que quero estar à disposição para poder ajudar, ficar na reserva, participar do projeto. Estou à disposição, como sempre estive.

Está preparado mentalmente se, por ventura, não aparecer no gol do Goiás?

Sem dúvida nenhuma. Mesmo porque, reserva nunca foi problema pra mim. É um desafio a mais, caso isso aconteça, para que a gente tente conquistar, novamente, a posição. E voltar a fazer tudo aquilo que a gente já fez em outros momentos. Eu precisava muito dessa parada para poder me recuperar. Com as condições que estava meu braço, não tinha como brigar pela titularidade e apresentar o que o torcedor quer. Agora, estou totalmente recuperado e vou voltar a jogar em grande nível para poder ajudar o Goiás, se necessário.

Seu contrato termina no fim desse ano. Os próximos 6 meses que restam em 2010, representam o quê?

Eu tenho uma definição, já, na minha cabeça. Foi tomada em consenso com a minha esposa, filhos, com as pessoas que gostam de mim e convivem comigo no dia a dia: eu devo seguir por mais algumas temporadas. Até mesmo conversando com o Departamento Fisiológico do Goiás, a minha condição ainda é invejável, de forma física e condição atlética. Então, vou continuar. Se eu tiver condições de renovar meu contrato, a preferência é do Goiás. Se não for, toco um outro projeto em uma equipe que precise de um goleiro com minha experiência, nível e dedicação. Tem muita coisa acontecendo no Goiás. Tem processo de sucessão acontecendo agora no fim do ano. Eu tive a oportunidade de fazer um contrato de dois anos antecipado e preferi esperar. Temos que esperar para ver o que vai acontecer até o final do ano, para ver se a diretoria ou a nova diretoria tem interesse que eu permaneça ou se meu ciclo acabou e sigo meu caminho.

E se dependesse só de você?

Se as coisas forem da maneira que eu acho que deveria ser, sem dúvida nenhuma. Agora, isso aí depende muito da maneira como o Goiás vai se apresentar até o final do ano, como eu vou apresentar nos próximos seis meses… Mas, sem dúvida nenhuma, a preferência sempre vai ser do Goiás. Eu tenho ainda o sonho de encerrar minha carreira no Goiás. Como fiz a opção de jogar mais algum tempo, passa a ser um sonho que, talvez, eu não possa realizar. Mas, se possível, eu ficaria muito feliz.