(Foto: Giuliane Alves/ Sagres on)

O governador de Goiás, José Eliton (PSDB), decretou no sábado (26), situação de emergência em todo o território goiano por causa da greve dos caminhoneiros.

Conforme consta no decreto nº 9.232 de 26 de maio de 2018, o governo estadual tomou essa decisão para evitar a interrupção dos serviços essenciais à população. Seguindo o mesmo posicionamento do governo federal, o decreto autoriza, entre outros pontos, “a utilização das forças de segurança do Estado para o apoio e a garantia da livre circulação dos meios de transporte necessários à distribuição de gêneros de primeira necessidade e à prestação de serviços essenciais”.

Escoltas

Em entrevista à imprensa, o governador garantiu que nenhum direito dos caminhoneiros será desrespeitado e ressaltou que, quando necessário, o Estado fará o uso de escoltas para levar combustíveis, insumos e medicamentos para os municípios.

“As unidades de saúde estão funcionando sem maiores transtornos. Temos uma atenção especial com as ambulâncias, principalmente do SAMU. Já está em andamento nesse instante um conjunto de ações de escolta, de determinados caminhões, para atender as agendas prioritárias. É importante ressaltar que respeitamos o movimento dos caminhoneiros, a Constituição garante o livre direito de manifestação, mas a mesma Constituição exige que possamos garantir os abastecimentos essenciais para a população”, afirma o governador.

Saúde

No que diz respeito à distribuição de insumos e medicamentos em Goiânia, o secretário estadual de Saúde, Leonardo Vilela, informou que atualmente não estão faltando remédios na Capital.

“Não temos falta de insumos e medicamentos nesse momento em Goiânia. O que verificamos é que entregas deixaram de ser feitas nessa semana. Se não forem retomadas as entregas, poderemos ter falta de insumos essenciais a partir da semana que vem”. 

No entanto, segundo Vilela, no interior a situação é bem mais complicada.

“Muitos hospitais estão sem soro fisiológico, sem medicamentos para fazer internações e cirurgias. Nós temos pacientes do interior que foram regulados para a Capital, inclusive de UTI, que não vieram porque as ambulâncias estão sem combustível”, acrescenta o secretário.

Segurança

Uma das ações tomadas pelo governo para tentar solucionar a crise foi a criação de um Gabinete Estadual, composto pelas forças de segurança Estadual, Federal e Exército. O gabinete define as ações que serão executadas durante as manifestações de caminhoneiros e bloqueios de rodovias.

O processo de escolta será de responsabilidade do Exército. Segundo o Coronel Afonso, os militares vão agir em parceria com a Polícia Rodoviária Federal (PRF), no sentido de apoiar as forças de segurança do Estado.

“O Exército brasileiro dentro do decreto já emitido está em condições de apoiar as forças de segurança no estado, já em coordenação com a Polícia Rodoviária Federal. Já estamos com a situação mapeada e em condições de estar apoiando as forças de segurança no Estado”.

De acordo com o Superintendente da PRF em Goiás, Álvaro de Rezende Filho, a princípio viaturas de segurança e ambulâncias terão prioridade no recebimento dos combustíveis. 

“Dentro do Gabinete já mapeamos as rotas e já temos a disponibilização também de combustíveis. Tão logo tivermos as rotas definidas, vamos fazer as escoltas levando esses combustíveis para todo o estado, começando pelos pontos mais críticos. Nós já temos garantido o combustível para viaturas de segurança e ambulância, mas nós também garantiremos o mínimo para a população nesse momento de crise”

O secretário de Segurança Pública de Goiás, Irapuan Costa Junior, disse que há certa tranquilidade quanto à chegada de gasolina e óleo diesel, mas que  há alguns problemas quanto à chegada do etanol e do querozene de aviação.

“O movimento dos caminhoneiros é profissional, não é um movimento de radicalismo. Eles têm se prestado ao diálogo com as nossas forças. Não há incidentes quando escoltamos combustíveis de um canto para outro. Estamos prontos para fazê-lo”, destaca.

Transportes

O caso mais grave em relação aos serviços de Transporte de Passageiros é o do Aeroporto de Goiânia, que está com estoque mínimo de combustível. Cinco carretas  vindas do interior de São Paulo devem chegar em breve para resolver a questão. Os vôos que chegam a Goiânia estão normais porque o abastecimento é feito na perna anterior. 

Quanto ao transporte coletivo de Goiânia, a Metrobus, que opera o Eixo Anhanguera, informou que colocará a frota nas ruas normalmente na segunda-feira (27), visto que ainda não há problemas para abastecer os ônibus.