Nervosismo não faltou. Tensão durante os 90 minutos, além dos acréscimos. A torcida atleticana ficou com os dedos cruzados até o último lance, mas só conseguiu respirar aliviada assim que Sálvio Spínola enfim apitou o final do jogo, e o Atlético-GO pôde comemorar o que buscou durante toda a competição, a permanência na primeira divisão.

Vitória e Atlético-GO empataram em 0 a 0 no Barradão, resultado que rebaixou os baianos, e garantiu ao time atleticano o direito de ser o único representante goiano na Série A do ano que vem. O dragão terminou o Brasileirão na 16ª colocação, com 42 pontos. O Vitória obteve a mesma pontuação, mas com número de triunfos menor, e terminou em 17º, na zona de rebaixamento.

Jogo nervoso

O jogo no Barradão tinha todos os elementos de uma verdadeira decisão. Estádio lotado, e as duas equipes mostrando muita disposição desde o início. O calor castigou a capital baiana, e a partida foi bastante pegada na primeira etapa. Logo aos dez minutos cada time já tinha um jogador amarelado. A primeira boa chance do confronto foi do rubro-negro goiano, com um chute forte de fora da área da Marcão. A bola passou perto do gol de Viáfara.

O Vitória respondeu cinco minutos mais tarde. O meia Henrique recebeu passe pelo meio, e da entrada da área chutou forte, e a bola passou perto da trave de Márcio. O leão baiano se mantinha mais no campo de ataque, e o dragão diminui um pouco o ímpeto. O Atlético-GO apenas esperava o erro adversário para tentar o contra-ataque. Mas o Vitória seguiu ameaçando, e aos 22 minutos Adaílton recebeu dentro da área, girou e chutou, mas o arremate saiu fraco e foi para fora.

O rubro-negro baiano continuava descendo mais ao ataque do que o time atleticano. O donos da casa usavam bastante as jogadas de linha de fundo, e algumas vezes trabalhava a bola pelo meio, mas a marcação goiana estava bem postada, principalmente com Welton Felipe. O zagueiro foi um dos destaques na partida com desarmes firmes, e impedindo vários lances ofensivos do Vitória. Mas não impediu todos. Aos 36 minutos Fernando cobrou falta na área de Márcio, e Anderson Martins desviou com a cabeça e a bola passou rente à trave do goleiro atleticano.

Mas o Atlético-GO não estava apagado no jogo. O time atleticano tentava acionar a velocidade de Juninho, e trabalhar a bola com Elias, mas esbarrava na defesa adversária. Aos 37 minutos Pituca dividiu bola com Viáfara e reclamou de pênalti, mas Sálvio Spínola mandou seguir o jogo. Um minuto depois Juninho apareceu na linha de fundo na área baiana pela esquerda, aproveitou falha da zaga do Vitória e chutou cruzado, mas a bola foi para fora, passando muito perto do gol.

Atlético perde várias chances

A etapa complementar, como era de se esperar, foi ainda mais tensa. Precisando unicamente dos três pontos, o Vitória tomou a iniciativa. O Atlético-GO se posicionou claramente para aproveitar os velozes contra-golpes, que proporcionou os melhores lances do segundo tempo. Mas foram os baianos quem chegaram primeiro, com uma cabeçada de Júnior, aos nove minutos, que foi para fora.

Entretanto, um minuto depois o Atlético-GO quase marcou o primeiro. Juninho aproveitou falha da saída de bola do Vitória, e arrancou com uma velocidade impressionante no contra-ataque. O atacante atleticano passou pelo zagueiro, passou pelo goleiro Viáfara, e chutou para o gol, mas Anderson Martins se atirou na frente da bola para impedir o gol que poderia garantir o rubro-negro goiano na primeira divisão de 2011.

O Atlético-GO tentava diminuir o ritmo da partida quando tinha a posse da bola, mas o Vitória seguia sendo mais ameaçador. Aos 20 minutos Henrique recebeu a bola sozinho na área e cabeceou, mas a bola passou à esquerda de Márcio. Mas os contra-golpes do time de René Simões seguiam sendo os lances de maior perigo da partida. Aos 28 minutos Juninho avançou pela direita e cruzou para Elias, na meia-lua, mandar de primeira. A bola tinha endereço certo, mas Neto Coruja colocou o peito à frente da trajetória da bola e salvou o Vitória.

Desesperado para conseguir o triunfo, o time baiano ia ao ataque e deixava muitos espaços vazios no seu campo de defesa. Isso era um prato cheio para Juninho, que com sua velocidade penetrava fácil na área baiana. Aos 31 minutos ele apareceu pela esquerda, passou pelo zagueiro e chutou, mas Viáfara fez outra bela defesa. Um minuto depois foi a vez de Gilson se aventurar no ataque pela esquerda, driblar o zagueiro e passar a bola para Marcão que, sozinho, chutou fraco e a bola parou na mão do goleiro da equipe baiana.

Tensão até o fim

Aos 37 minutos, o nervosismo dos torcedores do leão ficou ainda maior. O zagueiro Gabriel Paulista foi expulso, e deixou o Vitória com um a menos no jogo. O Atlético-GO apenas aproveitava o desespero dos adversários e para levar perigo ao gol de Viáfara. Entretanto os minutos finais foram de pura apreensão para ambas as equipes. O torcedor atleticano convivia com o medo de levar um gol.

Os rubro-negros baianos se exaltavam a cada ataque do Vitória, que se tornou mais constante a partir dos 40 minutos. No entanto, o Atlético-GO segurou a pressão, e René Simões conseguiu cumprir a promessa que vinha sendo feita ao longo da competição. No dia cinco de dezembro de 2010, o torcedor atleticano pôde encher o peito de orgulho e dizer que é o único representante goiano na Série A em 2011.

Ficha Técnica – Vitória 0 x 0 Atlético-GO

Local: Estádio Barradão, em Salvador (BA)
Data: 05/12/2010
Horário: 17 horas
Árbitro: Sálvio Spinola Fagundes Filho (FIFA-SP)
Auxiliares: Emerson Augusto de Carvalho (FIFA-SP) e Carlos Berkenbrock (FIFA-SC)

Vitória
Viáfara; Nino Paraíba, Gabriel Paulista, Anderson Martins e Egídio; Neto Coruja, Uelliton, Henrique (Schwenck) e Fernando (Ramon); Adaílton (Elkesson) e Júnior.
Técnico: Antônio Lopes

Atlético-GO
Márcio; Adriano, Gilson, Welton Felipe e Thiago Feltri; Agenor, Pituca, Róbston e Elias (Anaílson); Juninho (William) e Marcão.
Técnico: Renê Simões

Cartões amarelos: Júnior, Egídio, Uelliton (Vitória) / Agenor, Welton Felipe, Márcio, Róbston, Juninho(Atlético-GO)
Cartão vermelho: Gabriel Paulista (Vitória)