“A ex-diretora financeira da SMP&B [empresa de Marcos Valério/, Simone Vasconcelos apenas cumpria ordens quando fazia pagamentos a parlamentares”. O argumento é do advogado de defesa de Simone, Leonardo Yarochewsky e foi dado durante o quarto dia do julgamento do mensalão no Supremo Tribunal Federal (STF).

Simone Vasconcelos era a responsável pela distribuição dos recursos provenientes de empréstimos feitos pela empresa de Marcos Valério. “Simone entrou na SMP&B em 1999 e nem era sócia. O cargo de diretora financeira não lhe concedia nenhuma autonomia, nem poder de mando, nem autonomia financeira. Era assalariada, funcionária de carteira assinada. Ela não é coautora, ela não tinha domínio sobre qualquer fato”.

Yarochewsky usou o limite máximo de uma hora em sua sustentação oral e afirmou que sua cliente deveria constar do processo apenas como testemunha. “Simone Vasconcelos deveria figurar como testemunha deste processo porque o depoimento dela foi citado, quando do oferecimento da denúncia, por oito vezes. Nas alegações finais, por 11 vezes, a acusação faz referência a Simone Vasconcelos. Isto porque muito do que o acusador estatal [o procurador-geral] sustenta é baseado nas palavras de Simone, que, em todo momento que foi ouvida, traz a mesma versão, com transparência e integridade”, alega Leonardo.

A ex-funcionária da SMP&B responde por cinco crimes: lavagem de dinheiro, formação de quadrilha, evasão de divisas e corrupção ativa. Somados os crimes, a pena máxima pode chegar a 327 anos. A SMP&B era a empresa de Marcos Valério que tomava os empréstimos para repassar os recursos aos parlamentares, com o objetivo de que eles votassem em projetos de interesse do governo no Congresso Nacional.

Rogério Tolentino

O advogado das empresas de Marcos Valério confessou que tomou um empréstimo de R$10 milhões no Banco BMG, a pedido da empresa de publicidade SMP&B, disse o advogado Paulo Sérgio Abreu. Segundo o defensor, Tolentino repassou três cheques em branco assinados a Marcos Valério, porém nunca deu dinheiro a deputados do PP.

“Ele tomou esse empréstimo a pedido da SMP&B. A própria empresa calçou um empréstimo com um CDB. Ele vai a SMP&B e dá ao Marcos Valério três cheques assinados em branco. Marcos Valério chama a denunciada Simone [Lobo, ré no processo do mensalão] e pede para preencher os três cheques com importâncias diversas. Ela os remete, por ordem de Marcos Valério, para três deputados do PP – Renato Janene, Pedro Henry e Pedro Corrêa”, disse Abreu. (Agência Brasil)