A cidade é um amontoado de corpos e o fato é que vive-se um tempo de intranquilidade. Enquanto os chefes da segurança pública comemoram vitórias sobre coisa nenhuma, aparecem os dados do primeiro quadrimestre. O jornal O Popular mostra que, de janeiro a abril deste ano, 201 pessoas foram assassinadas em Goiânia, apenas em Goiânia. Mais de 50 por mês!

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O governo deve estar orgulhoso de ter batido o recorde da carnificina de 2012 e de estar quebrando as próprias marcas em 2013. Não foi fácil superar os 185 cadáveres estendidos nos 120 dias iniciais do ano anterior. Para isso, a Secretaria de Segurança Pública teve até outubro João Furtado, seu titular mais fracassado de todos os tempos. O substituto, Joaquim Mesquita, está comendo o pão que Furtado amassou. A violência avassaladora é herança. Não foi Mesquita quem contratou empresa picareta pagando por locação mais que pela compra de viaturas. Mesquita encontrou a terra arrasada, fértil para produzir resultados assombrosos.

Durante muito tempo ainda, Goiás vai continuar colhendo os frutos podres da péssima gestão de Furtado. Na Capital, a média ultrapassa duas mortes por dia, todos os dias, se a polícia não maquiar os números. Porque não considera crime quando alguém é assassinado no trânsito. Quando se depara com alguém morto, ela ignora as facadas, os tiros, enfim, as lesões que evidenciam o homicídio, e registra a ocorrência não como assassinato, mas como “encontro de cadáver”. Mesmo assim, mesmo fechando os olhos para as vítimas do trânsito e dos assassinos que fogem, as forças de segurança perderam a luta para os bandidos. Como no poema de Belchior, “eles venceram e o sinal está fechado” principalmente para os jovens.

Para conter a carnificina, a providência número 1 seria admitir o fiasco, mudar o que está errado e proteger a sociedade. Mas não, preferem bater recorde de corpos inertes, inclusive os próprios. É uma segurança de faz-de-conta com quem a população não pode contar, porque a política é contar os cadáveres, não salvar os vivos.