“A minha relação com a poesia começou quando eu tinha 3 anos”. Lêda Selma – escritora
Lêda Selma cresceu em meio às letras. Com o incentivo da mãe, que era professora, desde cedo se percebeu “fazedora de poesias”. Hoje, transitando entre poesias, crônicas e crontos, se consolida como uma das potências da literatura goiana e uma das guardiãs dessa forma de arte: é a primeira pessoa a presidir, por três vezes, a Academia Goiana de Letras (AGL).
Descubra mais sobre a trajetória de Lêda na reportagem a seguir:
As crônicas como porta de entrada para literatura
As crônicas entraram na vida de Lêda como uma oportunidade: escrever para o jornal Folha de Goiás. Embora sua aproximação seja mais com a poesia, a escritora vê nas crônicas uma potência importantíssima para a literatura, pois ela pode ser porta de entrada para outros gêneros literários. Para ela: “A crônica tem esse lado menos erudito e mais coloquial, mas sem tirar o valor estético. Pelo contrário: hoje a crônica é uma peça bonita, acessível”.
A cronista destaca, ainda, que quando trabalhada nas escolas, faculdades e demais centros de ensino, a crônica se torna uma boa oportunidade de incentivo e aproximação com o hábito da leitura.
Essa proximidade com o gênero acabou criando um novo termo. Pelo tom poético de seus textos, Lêda conta que era constantemente questionada se o que escrevia era crônica ou conto. Em uma palestra na União Brasileira de Escritores (UBE), resolveu dar um fim à discussão: “Nem conto, nem crônica. É cronto”.
Jovens são o termômetro da obra de um autor
Para a autora, a espontaneidade de crianças e adolescentes no contato com suas obras são um termômetro do seu trabalho. Ela lembra de um episódio em que participou de um evento escolar, em que os alunos encenaram um de seus textos, alterando o final. “Quando terminou, o aluno diretor da peça veio e falou para mim: ‘Olha, nós lemos muito, ensaiamos e chegamos à conclusão de que esse fim é melhor que o que está no livro’. Eu achei isso maravilhoso! Porque eles leram o texto, entraram na história”.
O contato direto com o autor pode abrir portas para o universo literário. Lêda conta que os jovens, quando a conhecem, sempre se espantam: “Lembro que em uma escola, quando estava passando pelo corredor, uma [aluna] virou para a outra e disse: ‘Está vendo? Ela é igualzinho a gente, ri igual a nós, conversa igual a nós. (…) A gente só via escitor ao morto, nunca vê ao vivo”.
Presidência da AGL
Lêda Selma é a primeira pessoa a presidir a Acadêmia Goiana de Letras (AGL), por três mandatos e a segunda mulher a comandar a instituição. Para ela, é importante que as mulheres se vejam capazes de assumir cargos de liderança: “Para mim representa o impulso que causa para as mulheres. Aqui é um universo de 32 homens e 8 mulheres, e eu sou a segunda mulher a presidir”.
A primeira presidente da Acadêmia foi a escritora Maria do Rosário Cassimiro, que também foi a primeira reitora da Universidade Federal de Goiás (UFG). Ver Cassimiro ser pioneira em tantas áreas foi uma grande fonte de inspiração para Lêda: “Ela foi uma das pessoas que me inspirou [a entrar na acadêmia]. Eu entrei em 2000, então em setembro vão fazer 26 anos que estou aqui”.
SER Goiás na TV
O SER Goiás na TV é um programa educativo diário produzido pela Fundação Sagres, em parceria com a Secretaria de Estado da Educação de Goiás (Seduc-GO), que amplia a experiência da sala de aula por meio da televisão ao integrar comunicação e educação.
O programa aborda o reforço escolar, a recomposição das aprendizagens e os desafios contemporâneos da educação básica, oferecendo conteúdo construtivo, instrucional e orientador para estudantes, famílias e comunidade, com entrevistas, videoaulas e diretrizes pedagógicas alinhadas às políticas educacionais, em consonância com o ODS 4 – Educação de Qualidade, da Organização das Nações Unidas, reafirmando o compromisso com uma aprendizagem inclusiva, equitativa e transformadora. Todos os dias, uma edição inédita, a partir das 14h, na Demà Sagres TV.
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