Em depoimento prestado ontem (9/6) ao promotor de Justiça Fernando Krebs, o ex-secretário de Finanças da Prefeitura de Goiânia, Cairo Peixoto, afirmou que, no período em que esteve à frente da Pasta, de 3 de fevereiro a 30 de abril, deparou-se com uma situação financeira caótica no Município. As declarações foram prestadas no procedimento instaurado pelo promotor a partir de representação feita pelo vereador Djalma Araújo, na qual ele denunciou o descumprimento, pela Prefeitura, da lei municipal que determina a reposição das lâmpadas da iluminação pública no prazo máximo de três dias. 

Vereadores ainda querem esclarecimentos sobre contas da prefeitura 

No depoimento, Cairo Peixoto reforçou que as finanças da Prefeitura estão sucateadas, o que reduz sua capacidade de arrecadação. Ele apontou um descontrole nas despesas, principalmente nos gastos com o funcionalismo. Para o ex-secretário, o quadro de servidores foi ampliado em excesso, inclusive no número de secretarias. 

Prefeitura presta contas e anuncia medidas de corte na próxima segunda-feira

Cairo Peixoto explicou ainda ter deparado com a pendência de recursos que foram apropriados de fundos sem a devida devolução, como, por exemplo, fundo de habitação, meio ambiente, saúde, cultura e desenvolvimento econômico. Em relação à dívida com fornecedores e prestadores de serviço, segundo o ex-secretário, ela era de aproximadamente R$ 400 milhões e o déficit mensal entre receita e despesa chegava a cerca de R$ 40 milhões, uma vez que os recursos arrecadados pelo Tesouro Municipal não eram suficientes para o pagamento da folha total do mês. De acordo com o depoimento, gasta-se 40 dias de arrecadação para pagar uma folha de 30 dias. 

Paulo Garcia anuncia mudanças decorrentes da reforma administrativa

O ex-secretário observou que esse desequilíbrio financeiro começou a afetar a prestação de serviços na cidade. Confirmou ainda que o limite de gastos com pessoal da Lei de Responsabilidade Fiscal foi extrapolado, pois estava em 58% da receita líquida do Município. Segundo relatou, não estavam sobrando recursos sequer para o custeio da máquina. Além disso, como a Prefeitura não conseguia obter certidão negativa na Receita Federal nem no CAUC, o Município ficou impossibilitado de obter empréstimos.

Além das declarações prestadas ao promotor, o ex-secretário entregou a ele cópia do relatório que foi encaminhado ao prefeito Paulo Garcia com a análise da situação das finanças da Prefeitura e as propostas para saneamento do quadro.

Fonte: MP/GO