A reformulação do futebol brasileiro, devastado após a humilhante goleada sofrida para a Alemanha por 7 a 1, passará pela tutela de Gilmar Rinaldi, ex-goleiro e também ex-empresário de jogadores, que foi confirmado na manhã desta quinta-feira como novo coordenador de Seleções. O anúncio foi feito pelo presidente da Confederação Brasileira de Futebol (CBF), José Maria Marin, em evento na sede da entidade.

“Ele (Gilmar) é o coordenador geral, vai comandar tudo e fazer a ligação entre a presidência e os demais treinadores. Terá o comando de todas as seleções. Não é para este momento apenas, é para o nosso futebol. A escolha pelo nome dele visa um projeto a curto, a médio e a longo prazo, para o bem do futebol brasileiro”

Gilmar Rinaldi tem 55 anos e foi campeão mundial com a Seleção em 1994, quando era o terceiro goleiro do elenco formado por Carlos Alberto Parreira. Depois de muito sucesso como goleiro do São Paulo, por seis anos, e do Flamengo, por quatro anos, encerrou a carreira no Cerezo Osaka em 1999 e voltou ao Flamengo para ser superintendente de futebol, onde ficou por dois anos. Em seguida, virou agente de jogadores, função que permaneceu por 14 anos e encerrou na noite da última quarta-feira, segundo o mesmo afirmou.

“Primeiro, quero deixar bem claro que minha atividade de agente de futebol, que exerci por 14 anos, não existe mais, meu foco é exclusivo com a Seleção Brasileira […] Já a algum tempo eu havia desistido de continuar, só mantive alguns jogadores que eu tinha lealdade. Passei uma mensagem ontem a noite, talvez eles não tenham entendido, mas estou oficialmente fora dessa atividade hoje”, garantiu Rinaldi.

Cartolas MOWAO novo coordenador terá como primeira e crucial tarefa a escolha do novo treinador da equipe principal, situação que deve ser concluída até a próxima terça-feira, segundo Marin antecipou na entrevista. E pra quem optava por um técnico estrangeiro, como Guardiola ou José Mourinho, a notícia desagrada: não será nenhum estrangeiro.

“Acho que não é o momento, com todo o respeito. Temos que buscar alguém na nossa casa, com nossos defeitos e nossas qualidades. É um momento de buscar alguém que tenha esse conhecimento. Conversamos algumas coisas e estamos em contato. Traçamos um perfil e vamos conversar com essa pessoa. O mais importante é definir o que nós queremos. Temos que reconhecer que precisamos mudar, não temos tempo para pensar, é hora de trabalhar”, destacou.

Pouco sobre o desastre

A campanha bastante questionável da Seleção Brasileira na Copa do Mundo foi citada, ainda que poucas vezes, mas o presidente José Maria Marin tratou o assunto como “página virada” e agradeceu ao ex-técnico Luiz Felipe Scolari, como técnico e como pessoa, no convívio diário. Questionado sobre o que mais incomodou na trajetória do Brasil na Copa, Gilmar Rinaldi surpreendeu.

“O que mais me incomodou, e isso é importante que se fale, foi o boné no jogo contra a Alemanha (com a escrita “força, Neymar”). Ali deveria ser “Força, Bernard”, no futebol é tudo muito rápido, dinâmico. Deveria ter “Força, Bernard” ou o nome do jogador que fosse entrar. A única coisa que achei que não estava em sintonia foi esse boné”