O reajuste de 12,1%, anunciado pela Companhia Metropolitana de Transporte Coletivo (CMTC) no fim da tarde desta quarta-feira (3), vai aumentar em R$ 0,40 para o usuário o gasto com cada passagem em Goiânia e região metropolitana. Mesmo assim, o Presidente do Sindicato das Empresas do Transporte Coletivo (Set), Décio Caetano, em entrevista ao repórter Jerônimo Junio, da 730, afirma que não estão previstas melhorias no serviço.

“O reajuste não traz equilíbrio para o sistema. As empresas continuam operando com déficit e não tem nenhuma perspectiva, no momento, de poder fazer investimentos e melhorias no sistema. A situação é muito grave, crítica, e nós temos alertado as autoridades no sentido de o setor poder retomar esses investimentos e trazer essas melhorias para o transporte”, ressalta. 

Caetano acrescenta que as empresas de transporte coletivo na região metropolitana acumularam um prejuízo de mais de R$ 100 milhões e que, por conta da crise financeira que atinge o país, perderam crédito com os bancos e têm dificuldades até para quitar débitos salariais os motoristas. Ele afirma ainda que o problema atinge outros estados brasileiros, e não descarta uma possível falência nas empresas goianas. 

“No Rio de Janeiro nos últimos meses já teve cinco empresas que faliram, entregaram a concessão. Curitiba já está estudando esta questão. Em Goiânia não está muito longe de acontecer uma situação dessas, apesar de que todos os esforços estão sendo feitos para que não ocorra uma situação de fechamento ou falência de uma empresa”, afirma. 

O valor da passagem teve aumento de R$ 3,30 para R$ 3,70 e só passará a vigorar a partir deste sábado (3). 

O reajuste

Em nota, a CMTC afirma que o valor do reajuste, se levada em conta a inflação acumulada na capital em 2015 pelo Índice de Preços ao Consumidor (IPC), que ficou em 14,18%, aumentaria a passagem para R$ 3,73. Entretanto, índice foi arredondado para baixo, custando três centavos a menos.

ulhoa murilo rubens salomao

O presidente da companhia, Murilo Ulhôa, afirmou em entrevista ao repórter Rubens Salomão, da Rádio 730, que o aumento anual da tarifa está previsto em contrato, destacou os itens que foram considerados para se chegar ao valor final, e diz que a qualidade do serviço não depende do reajuste.

“De 12 em 12 meses, nós analisamos os índices inflacionários, do preço do óleo diesel, a variação dos salários dos motoristas, a relação dos preços das peças, e o IPK, que é o Índice de Passageiros por Quilômetro Rodado. A qualidade do transporte para o usuário independe do reajuste. É uma preocupação diária da CMTC pensar nas melhorias para o usuário”, complementa.