Os presidentes Luiz Inácio Lula da Silva e o iraniano Mahmoud Ahmadinejad, além do primeiro-ministro da Turquia, Tayyip Erdogan, fecharam acordo hoje para que o urânio levemente enriquecido produzido no Irã seja enviado ao território turco e, em troca, o país receba o produto enriquecido a 20%.

Pelo acordo, o urânio enriquecido a 20% será remetido no prazo de um ano. Nesse período, haverá supervisão de inspetores turcos e iranianos. Para o presidente Lula o acordo firmado entre os países foi de extrema importância no cenário da política internacional.

“Eu acho que a diplomacia saiu vencedora hoje. Eu acho que foi um resposta de que é possível, com diálogo, a gente construir a paz e o desenvolvimento”, destacou o presidente.

Mahmoud Ahmadinejad ainda quer conversar sobre os acordos e as garantias para o Irã por parte do Conselho de Segurança da Organização das Nações Unidas (ONU). Segundo diplomatas que acompanham as negociações, o presidente iraniano pretende obter garantias dos países que integram o conselho (Estados Unidos, França, Inglaterra, China e Rússia).

O Chanceler brasileiro Celso Amorim revelou que o acordo foi fruto de muita negociação. Segundo o ministro, muitos detalhes tiveram que ser trabalhados, além do enfrentamento ao ceticismo de alguns países antes do tratado ser firmado. Amorim também ressaltou os benefícios do acordo.

“Esse acordo é o passaporte para que se possam haver discussões mais amplas que criem confiança na comunidade internacional e ao mesmo tempo permita ao Irã exercer o direito legítimo à energia nuclear para fins pacíficos e inclusive com enriquecimento”, afirmou o chanceler.

Um documento com dez itens foi a base do acordo de transferência de urânio firmado em Teerã. Pelo tratado, o Irã vai enviar à Turquia 1,2 mil quilos de urânio enriquecido a 3,5%, em troca de 1,2 mil quilos de urânio enriquecido a 20%.

No documento, o governo do presidente iraniano, Mahmoud Ahmadinejad, compromete-se a informar sobre o processo à Agência Internacional de Energia Atômica e a buscar negociar com o Conselho de Segurança das Nações Unidas.