Neste 1o de dezembro, em mais um dia mundial de luta contra a Aids, os números da doença no Brasil se apresentam como, no mínimo, preocupantes. Em especial na população jovem, com idade entre 15 e 24 anos. Desde 2006, os casos de contaminação por HIV nesta faixa etária aumentaram em mais de 50% no País, segundo informações do Ministério da Saúde. No resto do mundo, os novos casos de Aids entre jovens caíram 32% em uma década.
“Esta realidade é alarmante. A sociedade brasileira, de certa forma, estimula o sexo entre os jovens e isso tem começado cada vez mais cedo. Um público que se considera auto-imune e se comporta como se a Aids ou qualquer outra doença sexualmente transmissível não pudessem alcançá-los”, afirma João Alves, médico infectologista do Hospital de Doenças Tropicais (HDT). Pesquisa da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp) confirma essa exposição: um terço dos jovens brasileiros afirma não usar preservativo nunca ou quase nunca.
Em Goiás, desde meados da década de 1980, foram confirmados 12.804 casos da doença. De acordo com o Coordenador Estadual de DST/Aids da Secretaria Estadual de Saúde, Edvan Miranda, 98% desses pacientes têm idade acima dos 13 anos. Ele explica que, atualmente, já não se fala mais em grupos de risco. “Hoje nós entendemos que há, sim, um comportamento de risco. A Aids não escolhe faixa etária, classe social ou orientação sexual. Qualquer pessoa está sujeita a contrair a doença caso se exponha a fatores como sexo sem camisinha e compartilhamento de seringas e alicates de unhas, por exemplo”. Itumbiara, Jataí e Catalão estão entre os municípios goianos que apresentam os maiores de registros.
Sintomas
O vírus HIV, responsável pela Aids, ataca o sistema imunológico do homem, fragilizando seu organismo e oportunizando a contaminação por várias outras enfermidades, como gripes, pneumonias, tuberculose e meningite. Os principais sintomas da doença são diarreias, herpes, infecções cerebrais e o aparecimento de câncer. A Aids não tem cura e se apresenta como a quarta doença que mais causa mortes no mundo.
Conforme dados da Organização Mundial de Saúde (OMS), em todo o mundo, a contaminação chega a 7 mil e quinhentos casos por dia. Só no Brasil, 33 mil novas notificações são feitas anualmente. Cerca de 11 mil pessoas morrem a cada ano no País, vítimas da Aids.
Tratamento e prevenção
O paciente soropositivo é tratado com um coquetel de remédios disponível no Sistema Único de Saúde (SUS), os chamados antirretrovirais. O tratamento gratuito prevê acompanhamento médico constante, além de auxílio nas áreas de psicologia, psiquiatria, serviço social e nutrição. “A adesão aumentou bastante com a evolução dos medicamentos. Os efeitos colaterais são menores e a quantidade de remédios também, mas a disciplina deve ser rigorosa”, declara o médico João Alves. “A medicação é de uso diário e não permite férias do tratamento”, ressalta o infectologista.
O teste de HIV também é disponibilizado gratuitamente na rede pública de saúde e qualquer pessoa pode fazer. “O teste é rápido e é uma ferramenta muito útil para auxiliar no diagnóstico precoce da Aids, o que permite impedir que a doença avance. Atualmente, o tratamento é iniciado imediatamente, tão logo se confirme a infecção pelo vírus”, explica o Coordenador Estadual de DST/Aids. “O enfrentamento à Aids passa pela conscientização. A doença existe e mata, mas também há tratamento que assegura uma melhor qualidade de vida aos pacientes. No entanto, a prevenção ainda é o melhor remédio”, conclui Edvan Miranda.








