Por décadas, o nome de Américo Poteiro esteve ligado a um dos maiores nomes das artes plásticas brasileiras. Enquanto o pai, Antônio Poteiro, conquistava o mundo com suas obras, Américo era o pilar nos bastidores: preparava o barro, organizava exposições e gerenciava a logística para que o mestre pudesse se dedicar inteiramente à criação. No entanto, muito antes de ser reconhecido pelo sobrenome, Américo já trilhava seu próprio caminho.

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Hoje, com uma trajetória que ultrapassa cinco décadas, o artista plástico divide seu tempo entre telas e as esculturas que preenchem seu ateliê em Aparecida de Goiânia. Ali, guarda o legado dos últimos 20 anos de produção autoral.

“Meu trabalho é um trabalho criativo. Cada peça é individual, não existe cópia. Todas têm personalidade própria e carregam uma ideia diferente”, ressalta.

Raízes que atravessam gerações

Natural de Araguari (MG), Américo chegou a Goiás ainda criança, aos quatro anos. Foi no estado que cresceu, formou família e consolidou uma carreira marcada pela herança familiar. Segundo ele, a relação com a cerâmica é um fio condutor que atravessa séculos.

“A arte vem dos meus bisavôs e tataravôs, em Portugal. Meu pai era português e essa tradição sempre existiu na família. É uma raiz muito forte que veio sendo passada de geração em geração”, conta.

Jardim de cerâmica onde esculturas de diferentes formas e texturas convivem e contam a trajetória do artista. Foto: Palloma Rabêllo

Além da sombra do pai

Falar sobre Américo inevitavelmente remete ao nome de Antônio Poteiro, mas ele faz questão de destacar que a convivência foi além da inspiração artística, foi uma parceria de vida e logística.

“Eu preparava tudo para ele trabalhar. Minha função era deixar tudo pronto para que ele só precisasse criar”, lembra.

Américo Poteiro em frente aos fornos utilizados na queima de suas obras. Foto: Palloma Rabêllo

Mesmo com a influência inevitável, Américo nunca buscou repetir o estilo paterno. Enquanto Antônio ficou conhecido por narrar universos populares, religiosos, o folclore e o cotidiano, Américo encontrou sua voz na observação do cotidiano, na natureza e na humanidade.

“Minha preocupação sempre foi criar o meu mundo. Eu conheci muitos museus, galerias e artistas, então procurei desenvolver uma linguagem própria, mesmo sem deixar de ter a raiz Poteiro”, esclarece.

A arte nasce da observação

Grande parte das ideias surge durante o trajeto diário entre sua casa e o ateliê, percorrido muitas vezes de bicicleta. É no movimento da cidade, nas conversas de rua e no noticiário que ele encontra o combustível para suas obras.

“Sou muito observador do ser humano e da natureza. É isso que transforma o meu trabalho e faz nascer novas ideias”, explica.

Para o artista, a criação exige paciência e respeito ao próprio tempo, algo que ele aprendeu a valorizar mesmo nos períodos de pausa forçada. “Já fiquei três ou quatro meses sem criar nada, porque a ideia não vinha. Criar é um processo que exige muito da gente.”

A transição para as telas

O artista em processo criativo, finalizando os detalhes de uma pintura. Foto: Palloma Rabêllo

Embora tenha iniciado sua trajetória na escultura aos 19 anos, Américo dedicou-se à pintura apenas um ano após o falecimento do pai, atendendo a um antigo conselho de Antônio. Hoje, ele equilibra a produção entre as duas linguagens, embora reconheça que a escultura demande um processo mais longo e complexo.

Um ateliê de portas abertas

O espaço de trabalho de Américo se tornou um ponto de encontro com a comunidade. De acordo com o artista somente neste ano, mais de 500 crianças visitaram o local, que promove oficinas constantes para aproximar novos públicos da arte.

“Arte não é só para intelectuais. A arte é do povo, porque o povo também tem sensibilidade. Acho importante abrir as portas do ateliê para que as pessoas conheçam o artista e voltem a gostar de arte”, defende.

Com obras expostas em diversas mostras no Brasil como no Centro Cultural Octo Marques em Goiânia e exibições conjuntas itinerantes com seu pai, como “A Luz Inaudita do Cerrado”, que passou pela Caixa Cultural de Brasília e São Paulo, Américo prefere não listar títulos, focando no incentivo aos novos talentos.

Sala de exposição com obras finalizadas por Américo Poteiro.
Foto: Palloma Rabêllo

Com obras exibidas em importantes espaços, como o Centro Cultural Octo Marques, em Goiânia, e em mostras itinerantes ao lado de seu pai, a exemplo da exposição ‘A Luz Inaudita do Cerrado’, que passou pela Caixa Cultural em Brasília e São Paulo, Américo prefere não dar ênfase aos títulos conquistados. Seu foco, hoje, é o incentivo às novas gerações de artistas.

 “A arte não é perfeição, é criação. Todo mundo tem capacidade de criar. O que muitas vezes falta é incentivo para desenvolver esse talento com liberdade”, explica o artista.

Américo Poteiro segue escrevendo uma história própria, feita de barro, tinta e autonomia criativa. Uma trajetória construída diariamente, obra por obra, honrando o passado enquanto desenha o futuro.

SER Goiás na TV

O SER Goiás na TV é um programa educativo diário produzido pela Fundação Sagres, em parceria com a Secretaria de Estado da Educação de Goiás (Seduc-GO), que amplia a experiência da sala de aula por meio da televisão ao integrar comunicação e educação.

O programa aborda o reforço escolar, a recomposição das aprendizagens e os desafios contemporâneos da educação básica, oferecendo conteúdo construtivo, instrucional e orientador para estudantes, famílias e comunidade, com entrevistas, videoaulas e diretrizes pedagógicas alinhadas às políticas educacionais, em consonância com o ODS 4 – Educação de Qualidade, da Organização das Nações Unidas, reafirmando o compromisso com uma aprendizagem inclusiva, equitativa e transformadora. Todos os dias, uma edição inédita, a partir das 14h, na Demà Sagres TV.

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