Fernando Haddad (PT) e Jair Bolsonaro (PSL). Fotos: Agência Brasil

Chegamos ao final do segundo turno das eleições 2018. Desde o primeiro pleito após a redemocratização do país, creio que este tenha sido o que os ânimos estiveram mais acirrados. O atual processo posso classificá-lo como a eleição da negação. Os dois candidatos que chegaram ao segundo turno têm muitos apoiadores, mas há muitos que vão votar em Jair Bolsonaro (PSL) ou Fernando Haddad (PT) por conta da rejeição a um ou a outro. Independente de quem vença as eleições, o país estará dividido.

Além da divisão do país revestida de traços de intolerância de ambas as partes, nenhum dos presidenciáveis discutiram de fato os problemas do país. Nem Bolsonaro, nem Haddad aprofundaram nas discussões sobre Infraestrutura, Saúde, Segurança, Educação, Emprego, Previdência Social, Economia, Contas Públicas, entre outros.

 Nem candidatos, nem eleitores se preocuparam em discutir os temas. Vivemos numa economia em situação frágil, com o presidente mais impopular da história brasileira, Michel Temer (MDB), que promoveu reformas como a trabalhista que é bastante questionável, além das diversas denúncias de corrupção no atual governo, que ainda deve render desdobramentos.

O eleitor fugiu do debate por não cobrar dos candidatos para que discutissem os problemas do país. Os candidatos também não quiseram entrar no debate propositivo, somente ficaram na superficialidade. Os presidenciáveis gastaram tempo e energia para rebater críticas, além disso, tivemos uma enxurrada de Fake News, com notícias falsas alimentadas pelas candidaturas e por apoiadores, ponto que alimentou bastante a campanha eleitoral.

 Ainda sobre Fake News, a Justiça Eleitoral deveria ter se preparado melhor, penso que houve uma subestimação do uso do whatsapp e outras redes sociais. O comportamento do eleitor também é outro ponto a ser observado. Eleitores espalharam notícias mentirosas de um lado e de outro, o eleitor cobra honestidade, mas não olha para sua própria conduta.

 Discussões políticas têm afastado muitos amigos e até familiares, discussões ácidas, em defesa de Haddad ou Bolsonaro, sendo que os dois devem dar muitas explicações; Haddad pelos erros do PT e os crimes de corrupção praticados pelo partido. Bolsonaro por fazer parte do sistema que ele diz condenar, além das constantes polêmicas declarações, posição que um estadista não deve tomar. A imprensa também tem a parcela de culpa, pois não cobrou com mais ênfase um debate mais propositivo.

Independente do resultado da votação deste domingo (28), o Brasil já perdeu, pelo comportamento dos candidatos e do eleitor. Que o próximo presidente tenha uma visão de nação, para unificar o país, colocar as diferenças de lado e enfrentar os problemas. Nos dias de hoje, isso é quase uma utopia, mas não custa nada desejar.