Candidatos defendem propostas para reduzir violência contra a mulher. Fotos: Arquivo Sagres Online

Goiás ocupa a segunda posição no ranking nacional de violência contra a mulher. Dados da Secretaria de Segurança Pública do Estado indicam que nos sete primeiros meses de 2018 houve um aumento no número de feminicídios no estado. Foram 15 casos de janeiro a julho. No mesmo período do ano passado foram 13 mulheres mortas.

 O número é alto e preocupa. Feminicídio é quando ocorre o crime contra a vida pelo simples fato de a vítima ser mulher. Candidatos ao governo de Goiás receberam propostas do Conselho Estadual da Mulher (CONEM).

 A professora Kátia Maria, candidata do PT, destaca que um ponto importante é uma melhor estruturação das Delegacias da Mulher em Goiás.

“Eu acompanho essa pauta do feminicídio, da violência contra a mulher há muitos anos. Conheço a maior parte das delegacias pessoalmente, são precárias. Nossas delegadas são heroínas por dar conta de fazer um trabalho com pouca estrutura física e humana. Primeiro precisamos estruturar estes locais para receber as mulheres que chegam em um estado de vulnerabilidade muito grande”, afirmou Kátia Maria.

O senador Ronaldo Caiado, candidato do DEM ao governo afirma que é preciso integrar a ação da Delegacia da Mulher com outras políticas públicas desenvolvidas pelo Estado. O governadoriável afirma que é preciso que as decisões precisam ser rápidas para proteger as mulheres.

“A Delegacia da Mulher tem que estar aquilo que se chama autoridade para definir a ação protetiva. A mulher faz a queixa e não ter nenhuma continuidade? Precisamos entender que tudo tenha a decisão lógica, ações rápidas que vão refletir em medidas protetivas”, destacou Caiado.

O candidato a reeleição ao governo de Goiás, Jose Eliton (PSDB), relata que projetos estão sendo desenvolvidos para que diminuir a violência contra a mulher.

“Nós já estamos a desenvolver uma série de ações como a Patrulha Maria da Penha, passando por ações na área de inteligência que buscam prevenir. É claro que temos que fazer um diálogo franco com a sociedade, com as próprias mulheres, a incentivá-las a fazer um registro, pois às vezes falta coragem. Há uma série de ações sendo feitas que vão refletir na redução de casos de violência contra a mulher em Goiás”, destacou Eliton.

A candidata a vice na chapa de Weslei Garcia (PSOL), Nildinha, declara que já foi vítima de trabalho escravo no campo. Ela relata que longe dos centros urbanos a violência contra a mulher pode ser ainda mais grave.

“A gente precisa de uma bandeira para nos defender. Na reforma agrária não tem políticas públicas. Entra governo e sai governo e não há políticas para mulher no campo. A nossa defesa é contra a violência no campo e na cidade. Eu vim do trabalho escravo. Eu fui violentada na minha juventude e essa é a minha luta.

O candidato do PCB destaca que a legenda procura fazer um enfrentamento constante. Ele cita como exemplo que a violência começa no próprio processo político, em que candidaturas femininas são usadas como laranja.

“O Partido Comunista Brasileiro enfrenta este problema há um bom tempo. Não é simplesmente uma questão político eleitoral. Não é para usar as candidaturas femininas como “laranjas”, em que muitos partidos tradicionais fazem. Nosso partido enfrenta a partir da cultura, do cotidiano, que a mulher é tratada como subalternada. O PCB entende isso de outra maneira”, argumentou Marcelo Lira.

O candidato a vice na chapa de Daniel Vilela do MDB, Heuler Cruvinel do PP afirma que há uma preocupação para que se reduza o índice de violência contra a mulher. Ele defende que uma ferramenta importante seja o aumento da participação da mulher em espaços do governo.

“Tendo em vista o maior índice de criminalidade acontece com mulheres. Temos uma preocupação muito grande neste sentido e ainda com a ocupação de espaços públicos, seja por indicações, ou por concursos públicos. As mulheres precisam de espaço para aplicação das políticas públicas”, declarou Heuler.