“Meu maior sonho é conseguir um emprego digno. Quero deitar e acordar sabendo que eu já tenho para onde ir e continuar estudando”, relata o entrevistado do Vozes da Cidade, na RÁDIO 730.
Há 26 anos como flanelinha na Praça da Matriz em Campinas, Renato da Silva Medrados de 42 anos tomou uma decisão. Ele não quer mais trabalhar nas ruas.
Para isso, teve que superar um passado difícil. Renato foi abandonado pelo pai quando tinha apenas quatro dias de vida, e com 12 dias foi tirado dos braços da mãe pela bisavó, uma índia, que morava em Goiânia, mas seguia as tradições da tribo indígena.
Se Renato só conheceu a mãe aos oito anos de idade, as ruas, ele já conhecia muito bem. “Conheci a rua com cinco anos de idade. Eu conheci a Avenida Goiás, e fiquei ali até aos 19 anos de idade”, destaca.
E foi nas ruas de Goiânia, que o flanelinha conheceu os piores anos da vida. Foram mais de 20 anos no mundo das drogas. Para ele, era tudo uma ilusão plena. Ele tentava esquecer uma parte de sofrimento que tinha, e ao invés de encarar, tentava se esconder por trás desta tristeza.
Entre idas e vindas neste mundo, Renato se aproximou da família, e nesta mesma época começou a trabalhar em Campinas, vigiando e lavando carros, até que definitivamente conseguiu abandonar o vício.
“Ao longo do tempo foi me oferecido uma recuperação do álcool e da droga. Perguntava por que as pessoas não iam cuidar da vida delas. Elas queriam meu bem, não desistiram e não desistem até hoje”.
Renato conseguiu deixar as drogas, se casou e teve um filho. O casamento não durou muito tempo, mas o flanelinha já ganhou até um neto. Os estudos ainda são pagos com o dinheiro que ganha nas ruas, lavando e vigiando carros.
“Ano passado terminei o meu colegial, já no meio do ano passado, antes de terminar, já fazia faculdade, que eu termino agora no final do ano. Gestão de segurança do trabalho”.
Esta é uma reportagem especial de Nathália Lima, com edição de Wirley Alves, e produção de Laila Melo.









