(Foto: Rubens Salomão / Sagres Online)
O governador Ronaldo Caiado completou cem dias de governo nesta quarta-feira (10) com dificuldades em duas áreas relevantes, o pagamento do salário de dezembro para o funcionalismo público e na articulação política com a Assembleia Legislativa, avalia o cientista político, Robert Bonifácio, professor de ciência política da Universidade Federal de Goiás (UFG).
Em entrevista à Sagres 730 nesta quarta, o professor afirmou que a data de cem dias é importante por dois motivos: “Mostra a capacidade do governo de planejar ações futuras e é quando a população começa a perceber que as mazelas do governo são responsabilidades do governador e não mais do ex-governador”. Em outras palavras, termina a lua de mel entre eleitores e o novo gestor.
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Bonifácio acha que a principal fragilidade do governo ocorre no planejamento de ações futuras. Ele observa que Caiado venceu no primeiro turno, em 7 de outubro, e teve mais tempo para organizar o governo. “Com a vitória no primeiro turno ele teve a ousadia de formar uma equipe mais técnica. Teve liberdade de escolha, mas não se mostrou capaz de resolver os problemas”. Observa que ele apostou muito em ajuda do ministro Paulo Guedes, que não chegou até hoje.
O professor da UFG acha o governo desorganizado e cita o exemplo do cronograma de pagamento do salário de dezembro. Observa que essa escala foi divulgada em janeiro, mas que agora ninguém mais fala nela. Para Bonifácio, o atraso do salário é o fato mais desgastante, pois “sangra o governo”. Critica também a dificuldade do governo até mesmo de fazer nomeações para o segundo escalão.
Ele questiona também o fato de Caiado ter se concentrado muito em falar da herança que recebeu do governo anterior sem, contudo, apontar soluções para os problemas. “O que esse governo fez? Tem um programa de combate à sonegação, de aumento da arrecadação?” Bonifácio entende “demonizar” o antigo governo é pouco. “Ele tem de apontar um norte, ter um planejamento de governo para os próximos quatro anos”.
O professor também critica o presidente Jair Bolsonaro por não ter descido do palanque, “ou do Twitter, como ele prefere”. Observa que ele, assim como Caiado, aproveitou-se de seu capital politico para montar uma equipe técnica, mas diz que desperdiçou essa oportunidade com nomeações de pessoas “despreparadas” para o cargo de ministro casos dos ministros de Relações Exteriores (Ernesto Araújo), da Educação (Ricardo Vélez, substituído nesta semana por Abraham Weintrub), Damares Alves (Mulher, Família e Direitos Humanos) e Ricardo Salles (Meio Ambiente).
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