Fica a dica é o nosso espaço para sugestões. Garimpamos dicas de filmes, livros, discos, locais e qualquer outra coisa que não esteja em destaque no momento. Continuando em clima de Rolling Stones, nossa dica é um  filme  lançado há mais de 45 anos,  do cineasta Peter Whitehead.  O filme Charlie is my Darling, o primeiro documentário produzido sobre os Stones.

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Charlie Is My Darling

 

Há mais de 45 anos, o cineasta Peter Whitehead lançava o filme Charlie Is My Darling, primeiro documentário produzido sobre uma das bandas mais importantes do mundo, a Rolling Stones. Filmado em uma visita rápida de fim de semana na Irlanda apenas algumas semanas após o lançamento de (I Can’tGet No) Satisfaction, que ficou em primeiro lugar nas paradas e se tornou o hino internacional para toda uma geração.

Charlie ismy Darling é um diário íntimo por trás das cenas da vida na estrada com os jovens Rolling Stones, destacando o primeiro desempenho de concerto profissionalmente filmado da longa e documentada carreira de turnê da banda. Durante o filme, um dos pontos que o diretor mais dá foco é o frenesi inicial de seus fãs e os motins que seus desempenhos ao vivo incitavam.

O documentário mostra momentos dramáticos do show, incluindo as apresentações eletrizantes de The Last Time, Time IsOnMySide e a primeira performance em concerto do clássico da contra-cultura dos Stones. Entrevistas improvisadas são justapostas com cenas reveladoras, cômicas da banda brincando uns com os outros .

O filme consegue captar a energia explosiva do grupo. Em algumas cenas, por exemplo, é possível vislumbrar o estilo de desenvolvimento musical dos Stones, que mistura-se ao blues, R&B e arranhaduras de rock-n-roll. Toda a degradação, toda a imagem perigosa da banda, ainda estava longe daquilo a que chegaria nos anos de 1970.

 A inocência é o aspecto mais perceptível, numa primeira vista. Mas esse filme sério, oposto em vários sentidos aos Beatles, deixou pelo caminho algumas boas pistas para se decifrar essa banda que resiste na estrada, comemorando 50 anos.

Brincalhões, os Stones eram como qualquer pessoa de 23 anos de idade, de origem pouco ou nada aristocrática, fazendo aquilo com que sequer sonhavam. O filme capta muito bem isso. Mas as divisões de personalidade e propósitos já ficavam evidentes nesse documentário. A alma desgarrada do grupo, o louro guitarrista Brian Jones começa o filme dando suas nada diplomáticas impressões para a câmera.

Do outro lado, o baterista Charlie Watts e o baixista Bill Wyman são convencionais, pouco animados em suas falas. Já o vocalista Mick Jagger e o guitarrista Keith Richards comandam a história toda. Seja no palco, nos bastidores ou no piano do bar do hotel, debochando de Elvis Presley em uma sensacional paródia alcoolizada de “Santa, Bring my baby back to me”.

Junto com a música, o rebolado de Mick Jagger tem efeito devastador sobre o público, que também está em seu momento de descoberta, descontrolado diante daquela possibilidade de soltar os bichos e mandar para aquele lugar todo um passado de privações, repressões e ignorância. Trata-se de um filme que fala sobre uma Rolling Stones que ainda estava se descobrindo.