Como o próprio nome já diz, é nosso espaço para sugestões. Vamos garimpar dicas de filmes, livros, discos, locais ou qualquer outra coisa que achamos que você, nosso ouvinte deva conhecer! Hoje nossa dica é o projeto Goiânia estação Videoarte do artista plástico Divino Sobral.

 

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Estação Vídeoarte

Quando o artista plástico Wolf Volstell exibiu seu vídeo incomum Sun in Your Head nas salas alternativas de cinema alemão, a comunidade artística foi ao delírio. O filme, produzido em 1963, possui mais de 7 minutos de imagens disformes, pequenos cortes e incoerência de som e imagem. Depois da mostra, o audiovisual e as artes plásticas nunca mais foram os mesmos. Uma enxurrada de produções que viabilizavam a beleza e incoerência de imagens foi posta em prática, e a partir disso nasceu a vídeoarte.

Há exatos 50 anos depois, o movimento da vídeoarte cresce e se consolida como uma das grandes linguagens da arte contemporânea. É por isso que este ano, o projeto goiano Estação Videoarte está em constante movimentação. Contemplado pelo Edital Programa Rede Nacional Funarte Artes Visuais 9ª Edição, o projeto cria um diálogo entre as Regiões Norte e Centro-Oeste do Brasil, trazendo à Goiânia dois dos mais importantes artistas de Belém: Alberto Bitar e Armando Queiroz.

Realizada pelo artista plástico Divino Sobral, o projeto desenvolverá uma plataforma híbrida de exposições e programas educativos para difusão desta categoria que se destaca nas “extremidades” da arte atual. As inscrições para palestras, leitura de portfólio e workshop estarão abertas até o dia 03 de maio.

O projeto tem a duração de dois meses, entre maio e julho de 2013, e oferece programação diversificada composta por exposição de vídeos, palestras com Bitar e Queiroz, que abordam seus respectivos processos de criação, leitura de portifólio de produtores goianos e criação do vídeo “Quase todos os dias – Goiânia”, além da visita guiada à exposição conduzida pelo curador.

Um dos vídeos exibidos durante o evento será o Pé na Cova, produzido em 2008 e que registra a imagem de moscas e marimbondos devorando uma manga, fruta que participa da identidade cultural e alimentar de Belém. A fruta caída no chão do local apontado como vala comum onde foram enterrados 252 revoltosos, mortos por sufocamento no porão do navio Brigue Palhaço em 1823.

Trata-se de um dos maiores massacres da história do Pará. No vídeo a lembrança dos mortos aparece aludida na fruta em decomposição, comida por insetos.  Dos massacres passados ficaram os traumas na memória coletiva e a indignação da sociedade.

Dessa forma, a maior intenção da Estação Vídeoarte é desenvolver uma conversa produtiva entre os artistas que vivem e trabalham em Belém, no Pará, e os artistas visuais de Goiânia. Além disso, estimular a criação, principalmente para os universitários, e articular uma rede de contatos e de experiências que futuramente poderá resultar em maiores intercâmbios entre diferentes regiões do País.

Segundo o curador do projeto, Sobral, a capital paraense representa hoje um dos principais pólos de arte contemporânea fora do eixo Rio/São Paulo. Seus artistas penetram no circuito nacional com importância cada vez maior porque suas produções estão maduras. Nessa relação, as ações bem executadas no campo das artes visuais em Belém têm muito a ensinar ao meio de arte de Goiânia.