Antes mesmo do sinal tocar, já dá para perceber que ali a rotina é diferente. Em uma sala, um estudante repete trechos no piano. No corredor, dois colegas discutem uma passagem da partitura. Em outra ala, um grupo se organiza para o ensaio coletivo. No Instituto de Educação em Artes Gustav Ritter, em Goiânia, a música não aparece apenas em horários específicos — ela ocupa os espaços ao longo de todo o dia.

A escola, que integra a rede pública estadual, estruturou sua proposta pedagógica de modo que a formação musical acompanhe o estudante do ensino fundamental ao médio, chegando também à etapa técnica profissionalizante.

Assista a reportagem completa exibida no programa Ser Goiás na TV


Formação que começa cedo e se aprofunda

O Gustav Ritter atende gratuitamente crianças, adolescentes e jovens interessados em música. A trajetória pode começar na iniciação e avançar para etapas mais específicas, com estudo de instrumento, teoria musical, percepção e prática em grupo.

O prédio histórico no Setor Campinas foi adaptado para essa dinâmica: salas destinadas à prática individual, ambientes de ensaio coletivo e espaços voltados às disciplinas teóricas. A circulação constante de instrumentos pelos corredores faz parte da rotina.

Ao longo do percurso, o estudante não apenas aprende repertório, mas se familiariza com leitura musical, organização de estudo e prática sistemática — elementos que exigem constância e dedicação.

Ensino Médio com formação técnica

Um dos diferenciais é o Ensino Médio Técnico Profissional em Artes, com ênfase em música. Nessa modalidade, o aluno cumpre o currículo regular e, paralelamente, aprofunda a formação musical em disciplinas como harmonia, prática de conjunto e instrumento principal.

Ao final do curso, sai com a certificação do Ensino Médio e também com formação técnica na área artística. Para parte dos estudantes, essa estrutura representa a possibilidade concreta de seguir carreira na música. Para outros, funciona como ampliação de repertório cultural e acadêmico.

Entre ensaios e apresentações

A rotina inclui aulas de instrumentos como violino, violoncelo, piano, violão, sopros e percussão, além de canto e prática coletiva. Grupos, bandas e formações instrumentais realizam ensaios frequentes, que culminam em apresentações internas e externas.

A prática em conjunto exige organização, escuta e compromisso com o grupo. O processo envolve repetição, ajustes e correções — etapas que fazem parte da formação musical e também contribuem para o desenvolvimento de responsabilidade e convivência.

Acesso público à formação musical

Com vagas gratuitas e seleção pública, o instituto se consolidou como uma das principais referências de formação musical em Goiás. Ao longo dos anos, ex-alunos seguiram para universidades, companhias e projetos culturais no Brasil e no exterior.

Mas, no dia a dia da escola, o foco está na construção gradual do aprendizado. Entre acordes repetidos e ensaios coletivos, a música deixa de ser apenas expressão artística e passa a organizar o próprio ritmo da experiência escolar.