“Uma questão que nós vamos enfatizar é o fato de que a eleição não vai mudar a vida das pessoas. Pode-se eleger A ou B, mas o processo eleitoral, por si só, não muda a realidade. O que vai mudar a realidade de fato é o povo organizado.” Assim, o PCB defende uma democracia direta, com maior participação dos movimentos sociais nas instâncias de decisão do país.
Sustentando que fará um dos menores gastos na campanha deste ano, Marta Jane defende a reforma política e a limitação dos recursos de campanha como meio de tornar a disputa entre as forças políticas mais equilibrada. “O PCB, mesmo que tivesse disponibilidade de recurso, o que nós não temos, não aceita doação de pessoa jurídica. Não trabalhamos nessa perspectiva, até porque a gente sabe que as empresas que financiam campanhas têm alguma coisa amarrada nesse processo. E a gente não se dispõe a fazer esse tipo de jogo”, afirma. O fato de ser a única mulher a disputar o comando do Palácio das Esmeraldas não é encarado como fator predominante de seu desempenho na última pesquisa, em que aparece à frente do candidato do PSOL, Washington Fraga.
Tribuna – Como foi essa decisão do PCB de lançar uma candidatura própria?
Marta Jane – O PCB vem participando dos últimos processos eleitorais, sempre em coligações, tentando construir uma frente de esquerda, como foi na última eleição, juntamente com o PSOL e o PSTU. Mas essa frente de esquerda, ao longo dos últimos anos, acabou não se consolidando em muitos espaços da luta cotidiana e entendemos que o processo eleitoral tem que ser uma expressão dessa luta cotidiana, não pode ser uma situação artificializada num determinado momento. Embora tenhamos muitas afinidades com esses partidos, com a candidatura do Washington, que está sendo apresentada, não foi possível construir um programa comum com antecedência suficiente para dirimirmos algumas divergências que poderiam ser pactuadas num programa comum.
Sua candidatura foi a última a ser registrada e você já aparece à frente do candidato Washington Fraga. A que se deve isso?
Nós não fizemos lançamento de pré-candidatura, o partido não investiu em divulgação de nomes com antecedência, até porque a política do PCB não é uma política personalista, é uma política que se desenvolve a partir de propostas, de um projeto socialista para a sociedade brasileira. Nesse sentido, nós não tivemos essa preocupação de ficar divulgando nomes, mas o partido tem feito intervenção em vários espaços do movimento social organizado em Goiânia, Aparecida, Itumbiara e acho que isso é expressão do reconhecimento dessa atuação do partido. Então, eu acho que essa pesquisa revela um pouco da luta que o partido vem travando no Estado de Goiás.
Washington Fraga disse que vai buscar votos na base dos movimentos sociais. Nesse caso, vocês dois vão disputar votos nos mesmos lugares?
O Washington e o PSOL são muito mais companheiros de luta do que adversários. As nossas campanhas vão estar muito mais próximas do que em disputa. A compreensão do PCB e do PSOL do processo eleitoral não vai nos levar para o caminho da disputa, mas o de agregar. Tanto nós quanto Washington não temos ilusão de que o processo eleitoral vai mudar substancialmente a configuração do estado, mas nós vamos procurar os espaços para fazer essa discussão. O que nós estamos disputando de fato não é com o PSOL, nós estamos disputando com uma perspectiva de desenvolvimento que está posta em Goiás há várias décadas. É esse o foco da nossa discussão, e aí, outras candidaturas que vão nessa mesma linha vão com toda certeza somar com a nossa.











