A cidade está igual à superfície lunar e o fato que perturba não são os buracos, mas as providências para eliminá-los. Em Goiânia, o prefeito Paulo Garcia tomou uma decisão digna de aplausos. Segundo o secretário de Obras, Luciano de Castro, a prefeitura abandonou as operações tapa-buraco. A nova política é a do recapeamento, conforme foi feito no Centro da Capital.
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Simplesmente não adianta tapar buraco. É lucrativo para a empreiteira, para os vendedores de insumos de pavimentação, mas um rombo nos cofres das prefeituras. Os operários acabam de jogar o piche dentro do buraco, passa um carro, leva o piche; vem uma enxurrada, leva tudo.
O Tribunal de Contas dos Municípios e o Ministério Público deveriam alertar os prefeitos quanto ao gasto inútil. Se o TCM começar a vetar balancete com despesas de tapa-buraco, o administrador municipal vai ter o mesmo procedimento de Paulo Garcia. Promotor que quer ajudar propõe ao prefeito um Termo de Ajustamento de Conduta.
O asfalto normal tem vida útil de vinte anos. A pavimentação realizada por corruptores dura pouco. Os problemas começam logo após a inauguração, uma rachadura aqui, um buraco ali, uma infiltração mais à frente. A bandidagem ocorre porque as autoridades permitem. As câmaras municipais, o TCM e o Ministério Público têm de impor critérios antes do pagamento. Técnicos dos três órgãos deveriam fiscalizar a espessura da capa asfáltica, a compactação do terreno, o manejo e o material empregado.
A obra de qualidade é mais dispendiosa, mas se o prefeito não roubar é possível fazer. O que não pode é torrar o dinheiro público com a pavimentação e todo ano os gastos subirem à estratosfera para remendar as crateras lunares. Operação tapa-buraco é um tapa na cara do povo.









