A cidade voltou a ter o trânsito normal e o fato tem a ver com o recesso escolar, não com o recesso parlamentar. Poucos alunos voltaram às aulas na data regulamentar e a sessão na Assembleia voltou ao que sempre foi, deserta, rápida, inútil. Durou menos de meia hora. Nada discutiu. Nada votou. Mas a população considera isso normal. Não é.
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As férias de julho são escolares, deveriam beneficiar apenas estudantes. Não há justificativa para que se estenda a outras categorias. Nesse período, o Poder Legislativo, que já produz pouco ou quase nada, para; assim como o Judiciário, que vive reclamando de excesso de trabalho. Apenas o Poder Executivo continua ativo em julho, apesar de grande parte dos secretários ter viajado a passeio.
A situação já foi pior. Até pouco tempo atrás, os parlamentares brasileiros tinham direito a 90 dias de férias e a salário em dobro, caso houvesse uma convocação extraordinária. A mamata foi reduzida, mas apenas no Legislativo. Juízes, desembargadores e ministros têm férias de 60 dias.
Deputado tem obrigação de comparecer ao Plenário de terça a quinta, isso quando há sessão. Nada de carga horária, basta bater ponto e cair na farra. Não sofrem nenhum tipo de punição. Os gazeteiros precisam apenas justificar a ausência. Alguns, nem a isso de dão ao trabalho.
A reportagem da Rede Clube de Comunicação divulgou que os deputados goianos faltam, em média, a 30% das sessões. Alguns deixam de comparecer ao plenário em mais da metade. O deputado Samuel Belchior, presidente Regional do PMDB, faltou 56% das sessões, Carlos Antônio do PSC e Paulo Cezar Martins, do PMDB, se ausentaram em 54% das sessões e o democrata José Vitti em pouco mais da metade, 51%. Nem mesmo o presidente da Casa, deputado Helder Valin, do PSDB, foi assíduo. Deixou de comparecer a 19 das 70 sessões realizadas no primeiro semestre.
De fevereiro a junho, cinco sessões deixaram de ser realizadas por falta quórum. O prejuízo para a população não é maior porque, na verdade, os deputados fazem muito pouco pelos eleitores. O Legislativo atende prioritariamente os interesses do Executivo e dos próprios parlamentares. Para o povo, sobra o frequente descaso.





