Um mal estar ocorreu entre Polícia Militar e Secretaria Municipal de Assistência Social (SEMAS). Na última quarta-feira (10) ocorreu uma audiência pública na Câmara Municipal de Vereadores para tratar das mortes envolvendo moradores de Rua de Goiânia. Cada autoridade dizia que teria que haver união, mas na prática isto não ocorreu. De um lado a Polícia Militar destaca que foi chamada para ajudar numa operação que visava conter o índice de crescimento da população de crianças e adolescentes em situação de rua. De outro a SEMAS alega que não partiu dela a inciativa e que não foi comunicada oficialmente desta operação denominada Proteção Integral.

O subcomandante do 1° BPM, Major Divino Malaquias, explica que ocorreram intervenções políticas por isto a operação não ocorreu. “Ficou acertado que a PM daria total apoio em uma operação onde estaria participando o SOS Criança e o Conselho Tutelar, que é o responsável por fazer a triagem e o recolhimento das crianças. Isso não é função da PM. Foi marcada uma reunião para 8h30, na sede da 1ª Companhia. A PM está aqui presente, porém recebemos a informação de que o Conselho não participará porque foi pressionado de forma político,” afirmou.

De acordo com o Major Malaquias, O Conselho Tutelar foi obrigado a refutar da participação na operação por conta de pressões políticas. “Se eles (membros do Conselho) participassem da operação responderiam a sindicância,” denuncia.

Ainda da noite da última quarta-feira, a SEMAS enviou uma nota aos veículos de imprensa informando que não participaria da ação, com o argumento de que ninguém foi procurado pela PM para participar da operação. Para evitar um mal estar entre as instituições nenhum diretor da SEMAS procurou algum representante da PM, ou seja, a união dita no período da manhã na Câmara de Vereadores, ficou apenas no discurso e quem sofre as consequências são os moradores de ruas, que continuam sendo mortos em Goiânia, mas pouco é feito para reverter a situação.

Ainda na audiência pública, o vereador Tayrone di Martino (PT), afirmou que as autoridades deveriam parar de ficar jogando a responsabilidade de uma para a outra e realizar ações efetivas.

“Eu quero que saia dessa audiência atitudes concretas. O objetivo dessa audiência é escutar das nossas autoridades, que tem responsabilidade direta, o que deve ser feito”.

Enquanto ocorre a falta de sintonia entre órgãos e autoridades, vale lembrar que a polícia civil investiga as mortes de 26 moradores de rua ocorridas em Goiânia, desde agosto do ano passado.