De acordo com informações do jornal, a investigação contra o senador é um resultado da Operação Perseu, realizada pela Polícia Federal em 2004, que prendeu 12 pessoas envolvidas em esquema de sonegação fiscal de R$ 150 milhões praticada por frigoríficos.
A reportagem revela que foram realizadas interceptações telefônicas pela Polícia Federal, nas quatro empresários do ramo discutiam subornar o senador goiano, segundo a investigação, para que o governo modificasse leis estaduais em benefício do setor. Dos 4 grampeados, 2 foram presos pela PF.
Os diálogos interceptados foram entre agosto e setembro de 2004 e os investigados dizem que o senador concederia, em troca de propina, benefício fiscal de 7% para frigoríficos pagarem dívidas tributárias com o Estado. O índice foi concedido por uma lei promulgada três meses depois das conversas.
Relatório da PF que descreve os grampos revela conversas do empresário Ney Padilha, preso pela PF, com Rodrigo Siqueira, ex-sócio da empresa Goiás Carnes, sobre os benefícios fiscais.
Diz o relatório: “Rodrigo diz que “só precisa fazer essas coisas aí, aquela parte que é esquisita”. Ney pergunta que parte. Rodrigo responde: “você conhece político né”. Ney diz “tem que acertar né'”, informa a transcrição, publicada na FOLHA.
Em outro trecho, a PF relata conversa do empresário Gustavo Penasso (frigorífico Centro Oeste) com Mauro Suaiden em que discutem como “ajudar” Perillo com R$ 2 milhões, que seriam rateados pelas empresas.
Por ordem do Superior Tribunal Federal, já foram ouvidas quatro pessoas no inquérito. O ex-secretário de Fazenda José Paulo Loureiro disse desconhecer o suborno, mas admitiu que Perillo tratava diretamente com os empresários do setor.
RESPOSTA
A defesa do candidato ao governo Marconi Perillo afirma que ele é inocente e que não participou da elaboração da lei citada em conversa de terceiros.
“O senador desconhece completamente o assunto, nunca atuou com essas pessoas, nem sequer acompanhou a mudança na lei”, disse o advogado Antonio Carlos Almeida Castro à Folha e complementou que a defesa não teve acesso ao inquérito.
Luiz Rassi, advogado do empresário Rodrigo Siqueira – que aparece nos grampos falando em dar dinheiro a Perillo – , também disse que não teve acesso ao inquérito.
O empresário Gustavo Penasso não foi localizado pela reportagem da FOLHA e o ex-secretário de Fazenda José Paulo Loureiro disse que não poderia comentar as investigações porque não estava no cargo à época dos fatos.
Segundo o jornal, empresário Ney Padilha, ao saber sobre o teor da reportagem, disse que não falaria por telefone e desligou. Já o advogado do empresário Mauro Suaiden, Ney Moura, afirmou que seu cliente não fez pagamento a Perillo em troca de benefícios.









