Foto: Júnior Guimarães

O governador Ronaldo Caiado deu sinais nesta quinta-feira (17) de mudança em seu discurso político, até agora voltado para expor as dificuldades econômicas que herdou da gestão tucana e focado na renegociação do ajuste fiscal do Estado com o governo federal. Em entrevista coletiva em Rio Verde, onde visitou o canteiro de obras da empresa Crown Embalagens Metálicas da Amazônia, Caiado declarou: “Nós não vamos ficar só reclamando da vida, vamos partir para cima, como é minha profissão. Sou médico, o cidadão chega fraturado, eu parto pra cima, vou operar, vou recuperar, ele [o paciente] já [sai] andando.”

O governador afirmou que o momento é de trabalhar e que é este clima que quer transmitir para o Estado. “O mal feito, foi feito, mas você pode saber que nós vamos corrigir e o Ronaldo Caiado vai governar e vai continuar morando em Goiás”, disse, fazendo uma provocação ao ex-governador Marconi Perillo que se mudou para São Paulo depois que foi detido por um dia na Polícia Federal por determinação da Justiça Federal. O ex-governador é investigado por supostas doações da Odebrecht para o caixa dois de suas campanhas de 2010 e 2014.

“Que o quadro é preocupante é indiscutível. É uma herança de R$ 3,4 bilhões, folha sem pagar, sem ser empenhada, os municípios não recebem a saúde e a educação há 13 meses. Fizeram com Goiás um verdadeiro vandalismo do ponto de vista de gestão. Mas Goiás é maior do que isso, nós vamos superar. Estamos trabalhando, empresa chegando, esse é o clima, vamos superar esse momento difícil, com muita garra, mas com muita determinação.”

Caiado acredita que o Estado está tendo uma “paciência enorme”, por porque “estão vendo que existe um novo governo, uma nova forma de governar” e prometeu tocar o Estado “com objetividade”. “Vamos absolver todas as dívidas, todas as irresponsabilidades feitas vamos assumir com certeza absoluta. Goiás é forte, vamos aos poucos superando essas dificuldades.”

O governador reuniu-se na noite desta quarta-feira (16) com o secretário do Tesouro Nacional, Mansueto Almeida, órgão responsável por analisar as contas dos Estados. A missão do governo federal, formada por técnicos do Ministério da Economia, concluiu o levantamento de dados sobre a situação fiscal de Goiás também nesta quarta. Caiado espera uma posição do ministro Paulo Guedes se a análise dos técnicos será favorável ao pleito do governo de aderir ao Regime de Recuperação Fiscal (RRF), de renegociação das dívidas. O governo espera assim uma folga de aproximadamente R$ 2 bilhões no caixa em 2019 para honrar outros compromissos.

Entretanto, a secretária da Fazenda, Cristiane Schmidt, afirmou em entrevista a Rádio Sagres na quarta-feira que os técnicos estão resistentes em incluir a dívida com a folha de dezembro, de R$ 1,6 bilhão, na dívida corrente líquida (DCL). Isso é necessário para que o total da DCL seja superior à receita corrente líquida, uma das exigências para um Estado poder aderir ao RRF. Questionado sobre o pagamento da folha de dezembro, Caiado apenas disse que o Estado vai honrar seus compromissos, sem precisar data. Na entrevista à Sagres, Cristiane afirmou que apenas em meados de fevereiro terá um cronograma de pagamento.

A Crown Embalagens Metálicas da Amazônia S/A investe R$ 350 milhões na instalação de uma fábrica em Rio Verde, a primeira do Centro-Oeste. A estimativa é de que sejam gerados 600 empregos diretos e indiretos e comece a funcionar em novembro deste ano. O governador visitou as obras da empresa acompanhado do vice-governador Lincoln Tejota, do prefeito Paulo do Vale (DEM) e do presidente da Comigo, Antônio Chavaglia.

“Não tem energia, governador, não tem energia no Estado de Goiás. Nós estamos funcionando aqui com óleo diesel, com gerador. Sucatearam, destruíram a maior empresa do Centro-Oeste brasileiro, que é a Celg e estamos nesta situação aqui hoje. A medida que nós precisamos tomar e o nosso secretário, eu como governador, estaremos nesta condição para resgatar uma condição tinha todo o potencial, mas infelizmente foi mais uma empresa destruída.