Sérgio Rassi – Divulgação Goiás EC

Foram quase quatro anos como presidente do Goiás Esporte Clube. Três títulos goianos (2015, 16 e 17), mas Sérgio Rassi não tem saudades do período em que esteve no cargo mais importante do clube esmeraldino.

“Eu esperava que ao final de quatro anos, eu sentisse uma situação agradável, mas não. Me decepcionei muito com as pessoas”, disse o ex-presidente esmeraldino ao comentarista da Sagres 730, Charlie Pereira.

Em uma entrevista que faz parte do especial de 76 anos de fundação do Goiás, comemorado neste dia 6 de abril, Sérgio Rassi faz questão de lembrar o legado administrativo e financeiro que deixou para o clube, com uma quantia milionária em caixa, e ainda elege seu craque entre tantos que vestiram a camisa esmeraldina.

Charlie Pereira – O senhor assume o Goiás e não completa o segundo mandato, mas o que era o Goiás quando o senhor assumiu? E o que era o Goiás quando o senhor deixa a presidência?

Sérgio Rassi – Eu acho que o meu legado mais importante para o Goiás tenha sido na área administrativa, uma vez que o futebol envolve empresa, envolve uma série de situações que qualquer outra empresa vivencia. Nós tínhamos na época que assumimos o clube, um déficit financeiro e orçamentário muito grande e entregamos o clube com um superávit financeiro nunca visto na história do mesmo, algo em torno de R$ 40, R$ 42 milhões de reais. Muito me assusta até, o Goiás estar fazendo empréstimos bancários, um ano e meio após a nossa saída. Uma outra coisa que acho interessante, é que nós criamos no clube este novo modelo de gestão, até então os diversos setores do clube eram administrados de uma forma amadorística, simplesmente por paixão, por colaboração, como é o caso do presidente e dos vices – presidentes até hoje, que não são cargos remunerados. Então nós criamos um sistema de gestão em todas as áreas do clube, criamos o marketing no Goiás, foi na nossa gestão, a parte financeira, a parte administrativa, parte jurídica, e deixamos algumas conquistas interessantes também, como as certidões negativas, que nunca tivemos, patrocínio da Caixa, teve também a gestão campeão, que nós ficamos em segundo lugar no Brasil, comparando todos os times de Série A e Série B, mas infelizmente no futebol as coisas não ocorreram como esperávamos. Fico muito satisfeito de ter deixado o clube com uma situação financeira equilibrada, mas um tanto quando decepcionado com a parte de futebol.

Charlie Pereira – Se arrepende de alguma coisa?

Sérgio Rassi – Não Charlie, arrepender, não, mas veja bem, eu perguntaria: você dedicaria quatro anos, quase quatro anos, eu sai do Goiás no dia 25 de agosto, faltava ainda três meses para terminar o calendário do futebol em 2017. Você doaria? Eu doei quatro anos da minha vida, no momento de maior produtividade da mesma, é bom que se diga, com amor, com paixão, com dedicação, e com meu tempo, que é preciosíssimo, às causas do Goiás, então eu esperava que ao final de quatro anos, eu sentisse uma situação agradável, mas não. Me decepcionei muito com as pessoas, obviamente não citar os setores, mas o meio do futebol me decepcionou muito, principalmente em qualidades que eu prezo, como caráter, amizade sincera, solidariedade, fidelidade, enfim, ficou uma frustração de um sonho, mas tudo na vida é válido, acho que aprendi de uma forma mais contundente em como separar o bem e o mal, certo do errado, e a vida é sempre um aprendizado.

Charlie Pereira – Qual o craque da história do Goiás que o senhor não esquece?

Sérgio Rassi – São vários, seria injusto citar apenas um nome, mas não fujo da pergunta. Acho que uma pessoa que nos deu boas lembranças foi o Lincoln. Alguns outros jogadores foram marcantes, mas se fosse pra escolher um nome, escolheria o dele.

Charlie Pereira – Um jogo?

Sérgio Rassi – As goleadas que demos no Vila Nova, a goleada no Palmeiras, as goleadas são marcantes e algumas delas foram na minha gestão, o que muito me deixou feliz. O futebol é um jogo, e temos que lembrar disso. O futebol tem vários fatores imponderáveis, diferente de uma administração, que tem coisas ponderáveis, em que se você faz certo uma administração, ela vai dar certo. Já no futebol, você pode planejar certo, fazer certo, mas as coisas, por esta imponderabilidade, acabam dando errado. Então costumo dizer que nunca tive muita sorte em jogo, em contrapartida sempre tive muita sorte no amor e acho que essa sorte no amor é quando você tem com a pessoa que você ama, o amor de volta, quer seja da sua família, amigos, mulheres, enfim, desta parte não posso me queixar, mas com o futebol, as coisas são diferentes.

Confira a entrevista:

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