(Foto: Rubens Salomão / Sagres Online)

As ações do governo de Ronaldo Caiado (DEM) para reduzir a máquina pública estão lentas, avalia o presidente da Associação Pró-Desenvolvimento de Goiás (Adial), Otávio Lage Siqueira Filho, em entrevista à Sagres nesta quarta-feira (22). Ontem a Assembleia aprovou o projeto da segunda parte da reforma administrativa que promete corte de R$ 430 milhões em quatro anos, o que é pouco diante do déficit de 2018 do Estado que, segundo o governo, foi de R$ 3,4 bilhões.

O presidente da Adial acha que o Estado deve privatizar empresas como Iquego e Metrobus, conceder rodovias à iniciativa privada e vender áreas públicas. Otávio discorda da proposta do governador Ronaldo Caiado (DEM) de os Estados serem autorizados a contrair empréstimos de até 30% dos recursos dos fundos constitucionais para ajudarem a equilibrar suas contas.

Para ele, a mudança da legislação por meio de medida provisória, como defende Caiado, é inconstitucional e ainda desvia recursos destinados à promoção do desenvolvimento econômico do Estado para o custeio do Estado. “A iniciativa privada faz mais e melhor com esse recurso e com custo bem mais baixo”, disse, para em seguida defender ações mais rápidas do governo para redução do tamanho da máquina pública.

A Adial divulgou nesta terça-feira (21) pesquisa em que mostra que boa parte dos goianos apoia a industrialização do Estado e os incentivos fiscais. Otávio informou que o objetivo do trabalho não foi se contrapor à Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) dos incentivos fiscais na Assembleia Legislativa a possíveis mudanças nessa política, como já defendeu a secretária de Economia, Cristiane Schmidt. “Quem não deve não teme”, disse, referindo-se à CPI. Mas o empresário acha que essa polêmica não é salutar para a atração de mais empresas e à industrialização.

Em 2018 governo e empresários fizeram acordo para reduzir por um ano e em R$ 1 bilhão os benefícios fiscais concedidos às empresas. Questionado sobre a possibilidade de prorrogação desse acordo, Otávio lembra que a renegociação está prevista, mas disse que as empresas também estão com dificuldades financeiras e que não podem continuar a abrir mão de “15% dos benefícios a quem têm direito”.

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